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A origem da palavra Jazz

Escrito por em 3 de maio de 2018

Hora ou outra alguém sempre me pergunta: o que é jazz? Essa pergunta tem uma resposta fácil. Google! É um estilo musical que surgiu no início do século passado que mistura origens africanas e cultura americana depois do fim da Guerra Civil. Simples assim!

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Mas quando o jazz surgiu no início do século XX, ele ainda não tinha esse nome. Aquela música com uma sonoridade africana, com influências européias e com raízes na igreja era apenas “música”. Mas o que havia de diferente naquele som para que ele merecesse um nome próprio, ainda mais um nome que nunca havia existido antes para descrever nenhum outro estilo musical?

Vamos lembrar um pouco de como era New Orleans nessa época. Uma cidade – senão a mais – cosmopolita de todas. Era a rota de entrada de escravos vindos da África para os Estados Unidos. Uma cidade portuária, com pessoas chegando de todos os lugares do mundo. Pessoas que tinham suas crenças distintas e os mais variados costumes. Pessoas ricas, pessoas pobres, pessoas pregando a palavra de Deus ao lado de outras praticando o vodú. Diversidade era a palavra.

Tom Brown

A primeira vez que a palavra jazz apareceu na história foi em 1915, quando o trombonista Tom Brow a usou para descrever o seu grupo, o Brown Dixieland Jass Band. Em 1916 ela aparece pela primeira vez em um dicionário, que nomeava a música dançante e alegre de “estilo jass”. E, em 1917, o grupo Original Dixieland Jass Band imprime na história a primeira vez que essa palavra aparece na capa de um disco.

Mas, afinal, o que é essa tal jass? Quando os primeiros grupos de jazz se apropriaram da expressão, ela tinha o significado de alegria, de vibrante. Era o estilo jass de tocar, ou seja, o estilo alegre de tocar uma música cheia de energia.

Não quero discutir aqui sobre o estilo, sobre suas raízes musicais, nem sobre sua evolução como música. Faremos isso numa outra oportunidade. Mas é importante sabermos de onde veio essa palavra que, até então, não existia.

Há uma lenda, muito bonita, que associa a palavra jass ao perfume com fragrância de jasmim usado pelas prostitutas nos bordéis de New Orleans. Não acredito! Nunca acreditei nisso! Até poderia ser verdade, mas sempre achei uma teoria muito simples para descrever o maior fenômeno musical da história ocidental.

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Original Dixieland Jass Band

A língua (idioma) é orgânica. Basta reparar como escrevemos a palavra você hoje em dia. Antes, era vossa mercê! Se transformou em vossemecê, vosmecê, vancê, você, e hoje já chegamos no vc. Com base nessa linha de raciocínio comecei a pesquisar. Hoje escrito com z, a palavra jazz já foi escrita com s: jass. Na virada do século, era uma referência à mulheres apaixonadas. Antes do jass (com s), por volta de 1850, sua forma era jizz, uma gíria para “vulgar” e que também significava sêmen. Antes disso, por volta de 1790, sua forma era “gism”, que era uma referência a entusiasmo e energia. Até aí há registros escritos sobre essa evolução. Antes disso, não consegui achar nada. Mas a associação me parece bem próxima e razoável: orgasm!

O nome que hoje usamos para descrever o estilo dançante, vibrante, cheio de energia, tocado nos bordéis onde as prostitutas eram vulgares e o cheiro de sêmen e urina (muito mais presente que o jasmim, eu presumo) eram presentes no ambiente, é o jazz que vem do orgasmo! É a música que vem de dentro, que é animal, que se mistura com todas as culturas, que é visceral, que chega num momento de libertação, onde o tesão de felicidade dos negros e escravos agora livres precisa ganhar uma forma. E esse movimento, quase como um gozo contido vem na forma de arte, e muda pra sempre a maneira como o mundo passará a ouvir música.


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