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HorrorCon: veja como foi a primeira convenção totalmente dedicada ao universo do horror em São Paulo.

Escrito por em 4 de setembro de 2017

Apesar do frio, o sábado paulistano estava ensolarado. Típico dia invernal, de céu cerúleo e cristalino, sem nenhuma nuvem à vista. Perfeito para um pique-nique no parque, um passeio de bicicleta, um bate-volta até a praia, um churrasco com os amigos… certo?

                 ………………………………………………….           Artigo escrito por Oscar Nestarez, escritor, pesquisador da ficção literária de horror e apresentador do programa Criador de Mundos da Rádio Geek.

Bem, na opinião de um grupo considerável de pessoas, nem tanto. Para centenas e centenas de fãs de filmes, livros, games e quadrinhos de horror, o sábado foi bem diferente. Foi dia de tirar aquela camiseta preta de banda ou de filme B do armário, de arriscar uma maquiagem grotesca, de tocar bem alto a trilha do filme “O Exorcista”… enfim, dia de ir à primeira edição da HorrorCon, convenção do gênero realizada no dia 26 de agosto na Associação Beneficente Osaka Naniwa Kai, na capital paulista.

Aliás, quem passasse pelo local, na Vila Mariana, provavelmente tomaria um susto: em pleno sol do meio-dia, Jason Voorhees, Leatherface, Michael Myers, Pennywise, Sadako e até o Demogorgon, entre outros queridos personagens de filmes e séries de horror, já vigiavam a entrada da associação.

Os vilões eram apenas algumas das atrações do evento. E foram várias: das 10h às quase 21h da noite, cineastas, escritores, atores, quadrinhistas, maquiadores, editores, pesquisadores, músicos, cosplayers e muitos et ceteras reuniram-se para palestrar, apresentar seus trabalhos, bater-papo ou simplesmente assustar.

Fiéis de diferentes denominações

Foi um verdadeiro culto, para usarmos um paralelo mais condizente com a paixão dos frequentadores. Um ato ecumênico, que congregou fiéis das mais diversas denominações (e gerações) para que renovassem sua fé — ou melhor, sua certeza de que o horror vive, pulsa, ataca e incomoda com mais força do que nunca.

Foram várias as demonstrações dessa força. As palestras, por exemplo: da evolução do terror na TV até um estudo sobre coulrofobia, diversos especialistas passaram pelo palco para compartilhar, com o público atento, os achados de suas pesquisas — fossem elas acadêmicas ou criativas.

Palhaços assustadores no palco e na platéia

Rodrigo Ramos e Marcelo Milici, do portal Boca do Inferno, subiram ao palco para falar sobre “Medo de Palhaço: A Enciclopédia Definitiva Sobre Palhaços Assustadores na Cultura Pop”, livro que organizaram sobre o tema. E desceram animados: “É muito gostoso ver o horror sendo reconhecido”, conta Ramos. “Nosso site já está no ar há 16 anos e nos acostumamos a tratatrem o assunto com certo desprezo. Essa convenção vem no momento certo, porque o fato de estar cheia mostra que a hora é agora. Tem muito quadrinho nacional de horror saindo, muito filme nacional… É uma prova de força”, completa.

Milici, seu parceiro, destaca os encontros proporcionados pelo evento. “A proposta de fazer um festival de conhecimento e cultura em vez de um festival só de filmes é bem interessante. É uma possibilidade de encontro entre pessoas de diferentes expressões artísticas, mas que têm em comum a paixão pelo horror”.

Aliás, enquanto eles conversavam no palco, um ronco violento se fez ouvir: ao fundo, Leatherface brandiu sua motosserra, ladeado por palhaços tortos e outras criaturas repulsivas. Uma bela festa.

A linhagem “Do Caixão” também marcou presença

O cinema nacional de horror deu as cadavéricas caras no evento. Renato Siqueira, diretor de “Diário de um exorcista”, bateu um papo com o público sobre o filme, que estreou mundialmente no Netflix há alguns meses.

O indefectível Zé do Caixão, claro, esteve presente, ainda que não fisicamente. Mas seu mítico rosto estava em camisetas, adesivos e bottons vendidos nas mesas. E sua filha, Liz Vamp, também subiu ao palco para conversar com o público. “Estou honrada por fazer parte dessa primeira convenção”, contou ela após o papo. “Espero mesmo que a HorrorCon passe a fazer parte do calendário de eventos anuais e cresça cada vez mais”.

O cinema, aliás, ocupou boa parte das apresentações. E nas estéticas mais variadas. Fernando Britto, curador da Versátil, compartilhou com os presentes um pouco de sua paixão pela obra de Mario Bava, italiano considerado um dos fundadores dos filmes de slashers.

Já Carlos Primati, referência na crítica e na pesquisa de cinema de horror por aqui, conversou com o público em duas ocasiões: primeiro, no debate “A nova Hollywood e o cinema de horror”, com Vébis Jr e Leandro Caraça. Depois, na palestra “Monstros clássicos da Universal”, retomando essa importante tradição cinematográfica.

Games e livros chegaram com força

Palestra de Oscar Nestarez. Ficção de Horror: das Fogueiras aos Dias Atuais.

Como dissemos, o culto foi ecumênico. Gamers e cupins amantes de títulos de horror também tiveram suas experiências transcendentais — os primeiros foram representados por André Massao Nagatomo e Felipe Silva, que mergulharam joysticks em sangue na palestra “Clube do game: os jogos mais aterrorizantes”.

Já os amantes de livros noturnos refestelaram-se em mesas de editoras como Dark Side, Suma de Letras, Draco e tantas outras, repletas de títulos suculentos como um cérebro para um zumbi.

Da mesma forma, adoradores do horror cósmico puderam acompanhar o bate-papo “H.P. Lovecraft: a atualidade da obra”, entre Silvio Alexandre e Nathalia Scotuzzi, especialistas no autor. E a poucos metros do palco, no estande da Loplop Livros, esses cultistas poderiam adquirir a mais recente e completa bíblia do autor: “Contos reunidos do mestre do horror cósmico”, publicado pela editora Ex-Machina.

Nathalia Scotuzzi também aprovou o evento: “Fiquei satisfeita. Gostei do envolvimento do público com as palestras. Conheci o trabalho de artistas interessantes e gostei do empenho dos cosplayers”, relata. “Para mim foi uma ótima oportunidade para fazer novos contatos e espero que aconteçam mais edições”.

HorrorCon, o retorno

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A depender de quem criou o evento, os desejos de Nathalia, de Liz Vamp e de tanta gente que compareceu serão atendidos. “Para uma primeira edição, fiquei surpresa”, conta a organizadora Fabiola Forchin, que, ao ser questionada sobre uma próxima edição, foi enfática: “Bora!”.

Igor Oliveira, seu parceiro de organização, concorda. E já planeja ajustes: “nas próximas edições, acredito que precisamos diversificar, ser mais democráticos”. A ideia é atender melhor ao público mais jovem, que “quer uma coisa mais visual, mais ‘agitação’, cosplayers, exibição de filmes, sustos, performances, experiências”.

Mas o saldo, segundo ele, é bem positivo: “estamos muito felizes porque a resposta que temos tido — tanto de público quanto de expositores, palestrantes e formadores de opinião, vem ao encontro do que acreditávamos”.

Na qualidade de amantes da ficção de horror em todas as suas formas, os autores deste artigo celebram a iniciativa. E desejam que, assim como um bom slasher, a HorrorCon tenha uma interminável lista de continuações.

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