INDIESpensáveis

Escrito por em 16 de maio de 2018

 Em meio a tantos títulos, os jogos independentes encontraram um lugar de merecido destaque!

 Quando pensamos em jogos independentes nos vem à mente algo pequeno, feito por poucas pessoas e que exigiu, comparado a títulos maiores, bem menos investimentos. A verdade é realmente essa, a genialidade dos jogos Indies gira em torno de transformar um sonho em realidade, uma ideia que se teve entre amigos em um jogo que virou um marco na história dos videogames.

Quem acha que precisa ser complexo está errado, a beleza vem da simplicidade e criatividade colocadas em cada canto dessas produções, que por muitas vezes enchem os olhos de admiração ou até mesmo, de lágrimas. Abaixo cito jogos Indies que considero exemplos de excelência.

 

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 Menção Honrosa –> (Ori and The Blind Forest – Moon Studios – 2015)

 

 

O mundo antes e depois de Life Is Strange

O antes apagado estúdio DontNod, em parceria com a Square Enix, trouxe para o mundo uma produção que considero um divisor de águas: Life is Strange. O jogo conta a história de Max Caulfield, uma jovem estudante de fotografia que, junto com sua amiga de infância Chloe Price, tenta resolver o desaparecimento de uma menina popular da universidade.

O título teve repercussão mundial, arrancando emoções intensas à medida em que os episódios iam sendo lançados de dois em dois meses. Ao tratar de temas delicados como aceitação social, bullying, homossexualidade e dilemas da transição adolescente-adulto, LIS provou que jogos não se resumem em só divertir, mas também envolver, acrescentar valores e ensinar a respeitar.

O estúdio gastou a maior parte do (pouco) dinheiro dado pela Square com dublagens. Fizeram isso pois queriam que sentíssemos a narrativa nas vozes e não no visual, que ficou estonteante apesar de tudo. Nos deram uma história emocionante, levantando a indústria Indie, que antes tínhamos algum medo que pudesse cair no esquecimento.

Três anos depois do lançamento de seu primeiro episódio, LIS é considerado um dos melhores Games for Impact (jogos com algum tema delicado / crítica social) já feitos, ganhou inúmeros prêmios e serve de modelo para outras desenvolvedoras arriscarem projetos mais ambiciosos. Nenhum executivo “super entendedor” imaginaria que um jogo com temática social se sairia tão bem, não é mesmo?

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(Life is Strange – DontNod – 2015)

 

Orgulho HUE BR

Lançado em abril de 2015, Chroma Squad é um exemplo de como a indústria de jogos brasileira é forte quando quer. Desenvolvido pela BeholdStudios, o jogo inspira-se em PowerRangers para nos inserir em um ambiente que mistura muita cor, músicas animadas e momentos engraçados. Como todo bom RPG por turnos, nos permite ter a própria base ou QG, no caso um estúdio para a produção de um Sentai japônes. A criatividade dos desenvolvedores quanto ao tema e execução geral do título é fantástica, em nenhum momento o gameplay se torna enjoativo e você passa horas e horas “gravando” os programas.

Chroma representa todo o poder da indústria brasileira, que se apoia nos Indies para tentar conquistar seu espaço no concorrido mercado mundial. É um jogo completo nos quesitos diversão, carisma e produção, sem contar que também tem batalhas de Robôs Gigantes \o/. Sem dúvida um dos maiores orgulhos que sinto de uma produtora em toda a indústria.

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(Chroma Squad – Behold Studios – 2015)

 

Independentemente Difícil

Pensar que Indies são fáceis é coisa do passado. Cada vez mais as produtoras independentes apostam em jogos que desafiam o jogador ao máximo. Dois ao meu ver merecem um destaque por ocuparem um lugar especial em minha trajetória como gamer:

 – Darkest Dungeon

RPG lançado em 2016 pelo estúdio Red Hook, extremamente difícil, com visuais únicos e uma narração de fundo incomparável. Leva a sério a frase “punido pelos erros”, pois qualquer deslize significa todo um grupo morto e todo um investimento jogado fora, seja no treinamento de novos recrutas ou na compra de equipamentos novos. O jogo conta com diversas classes, cada uma com uma função específica. A ideia e estratégia principal é combinar quatro dessas classes e formar um grupo para explorar as profundezas da “masmorra mais escura” (Darkest Dungeon).

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(Darkest Dungeon – Red Hook – 2016)

 

– Salt and Sanctuary

A Ska Studios nos trouxe em 2016 um jogo com características parecidas com Dark Souls, mas em estilo plataforma, quase um Metroidvania. Por ser muito inspirado na série Souls, Salt and Sanctuary é um jogo muito difícil, tanto pelos chefes, quanto pela progressão no jogo em si, em que a distância entre os checkpoints é grande e o jogador tem de se esforçar para não morrer no caminho. Seu visual é muito bonito, com destaque para a iluminação, que deixa o clima enigmático do jogo ainda mais acentuado. A grande sacada é o uso de Sal, ao invés de Almas (Souls), especiaria essa que serve como dinheiro e ferramenta de upgrade no personagem.

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(Salt and Sanctuary – Ska Studios – 2016)

 

Somente o Sol parou

The Banner Saga, um jogo feito por menos de 20 pessoas, foi lançado graças a uma campanha no Kickstarter que arrecadou mais de 100 mil dólares em apenas um dia. Ambientado na mitologia nórdica/escandinava, conta a história de Rook e Alette, pai e filha que tentam escapar da incansável investida de Dredges, criaturas que fogem temendo o fim do mundo. É um RPG por turnos que se destaca pela arte única desenhada à mão e história profunda, que mantêm o jogador mergulhado intensamente em uma mitologia misteriosa e cheia de segredos à serem descobertos. O que faz de The Banner Saga único é o fato de sua alta qualidade para um estúdio tão pequeno, que contava com pouquíssimos recursos. A tamanha excelência fez com que o jogo tivesse notas muito altas e ganhasse muitos prêmios nos eventos Indies mundo afora. É a prova de que quantidade não importa tanto quando se tem o gosto pela criação de jogos dentro de si.

The Banner Saga atualmente ocupa o humilde posto de melhor jogo Indie que já joguei na vida e é uma experiência única, emocionante e belíssima em todos os aspectos.

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(The Banner Saga – Stoic Studions – 2014)

 

Parando para refletir

Depois de tanto escrever sobre Indies que considero fantásticos, parei para pensar: o que seria da indústria sem eles?

A resposta é bem simples: seria igual, porém profundamente mais triste e sem brilho. Como jogador ativo e integrante desse universo, não consigo ver a indústria sem esse tipo de manifestação, que é tão importante para nós não ficarmos na mesmice que envolve grandes lançamentos, patches de 20+GB e lootboxes.

Sempre foi preciso uma válvula de escape para nós jogadores. Os Indies são essa válvula, são o tipo de jogo que nos faz ter esperança de que um dia as grandes empresas vão parar de pensar tanto em dinheiro e começar a pensar em serem lembradas por obras primas como as anteriores e milhares de outras que as produtoras (e o catálogo da Steam) nos oferecem.

 

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All Hail Hakon, King of The Varl – The Banner Saga

 


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