Current track
TITLE
ARTIST

Background

O Mundo Aberto dos Games na Vida Real

Escrito por em 10 de dezembro de 2018

Direto de Tromsø, extremo norte da Noruega, capital da Aurora Boreal, terra de Trolls e Vikings.

Tromsø. Foto: Erwin Pietz.

Olá Dovahkiins, falo com vocês direto de Tromsø, extremo norte da Noruega, capital da Aurora Boreal, terra de Trolls e Vikings. Seria impossível ser uma gamer e não associar muitas coisas daqui aos cenários de Skyrim, pois a beleza selvagem dos vales e montanhas com a vegetação característica faz você se transportar para o corpo dos Dovahkiins em um universo de mundo aberto.

Imagine poder acordar num final de semana e dizer para si: “Hoje vou explorar a região de Kroken e encontrar trilhas que levam para cachoeiras e o alto de montanhas” ou “Como será o vale que existe além do cemitério em Tromsdalen?” ou até mesmo “Hoje vou pescar o meu próprio alimento e assá-lo em uma fogueira”.

A Noruega é um dos poucos países que permite que você se movimente livremente, sem se deparar com muros ou cercas que bloqueiem o seu caminho. Você pode se deslocar pelas montanhas ou trilhas em florestas sem ter receio de estar invadindo uma propriedade particular. A cultura de estar em contato com a natureza aqui é muito forte, e é comum ver noruegueses solitários ou em grupos subindo trilhas com mochilas de sobrevivência contendo barracas, lanternas de cabeça, comida desidratada e uma garrafa térmica com água quente (é um modo de conservar a água líquida por mais tempo até que decida bebê-la antes que congele).

Existem aplicativos que ensinam como alcançar trilhas escondidas e o level de dificuldade. Esse level é caracterizado pelo clima, distância, pelo relevo e se você dispõe do equipamento necessário para concluir a jornada. Não há como não se sentir num game de mundo aberto, onde você precisa atingir determinados pontos de experiência e itens corretos para sobreviver a uma nova aventura. Que dirá a Lara Croft!

Uløya. Foto: Erwin Pietz.

Logicamente eu não pude deixar de experimentar algumas dessas trilhas, sendo que a primeira foi atrás da minha casa. Lá existe uma montanha bastante íngreme, alta e comprida como uma baguete gigante, e o caminho até ela contém trilhas que se tornam mais difíceis quando há muita neve (é muito difícil você se deslocar sobre a neve quando ela está quase nos seus joelhos), ou quando a neve está derretendo e vai se tornando compacta, virando gelo, pois a chance de escorregar e bater a cabeça numa rocha é maior e poderia ser fatal. Mas com algum equipamento adequado isso é possível. Foi assim que alcancei a montanha pela floresta e cada vez que avanço mais um pouco, mais lugares descubro que poderia ir numa próxima vez. Esse sentimento é muito prazeroso e parecido quando jogamos Zelda e vemos o conteúdo oculto do mapa se abrindo, sendo revelado para nós.

Rio em Kroken. Foto: Erwin Pietz.

Outro detalhe que me faz sentir viver em um mundo aberto é poder beber a água na natureza e poder pescar, preparar meu próprio alimento. Todas as vezes que fiz alguma trilha ou hiking bebi água diretamente nos riachos, e há poucos dias meu noivo e eu quebramos o gelo superficial de uma corredeira para bebermos a água que deslizava por debaixo da fina camada. A água que desce das montanhas do ártico é potável (não digo o mesmo para água de lagos, onde é mais parada e a concentração de bactérias é maior). Isso seria complicado de fazer no Brasil, pois os pastos contaminam a água e as construções irregulares e falta de saneamento, também.

Por muitas vezes imaginei que esse hábito explorador que existe nos noruegueses foi herdado até mesmo antes dos vikings, pois basicamente a Noruega é feita de rochas e o solo não é bom para plantio já que congela e está localizado em área de tundra. No passado existia a necessidade dos nórdicos explorarem outras terras e recursos para um povoado melhor sobreviver nas condições rigorosas do inverno.

    Costa de Uløya. Foto: Erwin Pietz.

O gamer que estiver disposto a vivenciar esse tipo de experiência e desafios reais de mundo aberto, certamente vai se encantar e querer vivenciar muitas outras vezes que não apenas em jogos de video game.

 

 


Opinião dos Leitores

Deixar uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.Campos Obrigatórios estão marcados*