Uma breve história do anime na TV Brasileira

Escrito por em 16 de maio de 2018

O ano de 2018 tem se mostrado um ano de novidades para os fãs de anime no Brasil, principalmente por conta das novas tentativas de emplacar as séries na televisão.

A história da televisão brasileira com produções japonesas começa já na década de 60, com a exibição de séries como National Kid, um tokustasu exibido pela TV Record em 1964 e Speed Racer, animação ainda em preto e branco exibida em 1966 pela TV Tupi. Mesmo assim, o impacto do anime no país só aconteceria alguns anos depois, em 1994, quando Os Cavaleiros do Zodíaco estreia na Rede Manchete, a primeira emissora a fazer uma grande aposta nesse tipo de animação.

 

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Cavaleiros do Zodíaco se tornou rapidamente uma grande febre entre os jovens e deu início à uma explosão de animes na televisão. Pela própria Rede Manchete, várias outras séries de grande sucesso no mundo, como YuYu Hakusho, Super Campeões, Sailor Moon e Shurato começaram a chegar as telinhas, de manhã e de tarde, para divertir as crianças, fazendo com que a emissora se tornasse a verdadeira casa do anime no Brasil. Desde então, o anime deixou sua marca e se tornou parte integral da grade de TV Brasileira, e, mesmo com o fim da Rede Manchete em 1999, manteve seu espaço na televisão através de outras emissoras como SBT, Band e até a própria Globo,  que exibiam outras séries de grande sucesso até hoje, como PokémonDragon Ball e Naruto, posteriormente.

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O início dos anos 2000 marca uma grande transição do público da TV aberta para a TV à cabo, e com ele, o anime vai junto. Canais como o Cartoon Network começam a transmitir séries já consagradas, como Dragon Ball e One Piece, famosos no mundo inteiro. Há uma grande confusão com as transmissões de algumas séries, pois tanto essas séries quanto outras citadas anteriormente, também foram exibidos em TV aberta, mas distribuídas de forma diferente. Neste momento aparecem também canais com uma programação claramente voltada para anime, como o Animax, responsável pela exibição Death Note e Fullmetal Alchemist no país. A TV paga tinha um cuidado maior com o produto: tentavam exibir as séries na íntegra, na ordem correta dos episódios, em programação regular e com reprises marcadas, coisa que nem sempre eram preocupações na televisão aberta.

 

 

Mas ainda assim, tudo que é bom dura pouco. A popularização e o maior acesso à internet deram princípio ao fim. O público otaku, agora um pouco mais velho e já consolidado, passou a consumir suas séries preferidas por meio de fansubs, que publicavam na internet os episódios legendados, próximo ao lançamento no Japão, porém, não licenciados. Agora, os fãs precisavam esperar a exibição na televisão e a publicação de revistas direcionadas à cultura japonesa, tinham um acesso muito mais rápido, fácil e instantâneo aos animes que gostariam de assistir e às informações que gostariam de ter. A partir disso, o anime passou a perder cada vez mais espaço na televisão brasileira, incluindo a TV à cabo. Canais como o Animax tiveram seu fim e os animes passaram a desparecer aos poucos da programação da TV aberta.

 

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Durante anos com poucas animações japonesas transmitidas na TV aberta, os fãs que ao longo de sua infância assistiam anime na televisão pediam fervorosamente na internet para que as séries voltassem a ser exibidas como antes eram, mas sem sucesso. Porém, recentemente os animes ganharam um novo fôlego nas telas da televisão nacional e as emissoras voltaram a investir em animações japonesas. No final de 2016 a Rede Brasil, sem a intenção de inovar e apostando nessa base de fãs já formada, passou a exibir novamente Dragon Ball e Cavaleiros do Zodíaco, em horário nobre.

Já na TV à cabo, o canal Disney XD deu um passo a frente com a exibição de Yokai Watch em 2016, série baseada em um jogo de videogame altamente popular no Japão e, em 2017, o Cartoon Network estreou Dragon Ball Super, sequência inédita no Brasil, mas já popular e familiar ao público, e junto dele, deu continuidade a Dragon Ball Kai, em um arco também inédito nesta versão remasterizada.

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Cabe dizer que o canal Play TV, da televisão paga, já tentava um apelo para esse público, transmitindo as séries Bleach, Naruto e Yu-Gi-Oh! ao longo do dia, mas o fato de ser um canal pouco conhecido de TV à cabo, onde a concorrência é maior, fez com que a exibição não tivesse tanta repercussão, o que consequentemente culminou no cancelamento dessas séries no canal. Outro caso onde o sucesso não atingiu o esperado foi a estreia recente de Pokémon na Rede TV, que em seu lançamento em março de 2018, não passou de 0.2 pontos no IBOPE, por conta da fraca divulgação da emissora.

Mais recentemente, já em abril deste ano, o serviço de streaming Crunchyroll, diretamente voltado para anime, deu início a uma parceria com a Rede Brasil, a mesma responsável pela volta dos Cavaleiros à TV, com o quadro Crunchyroll TV, que será exibido uma vez por semana (aos sábados) na emissora e apresentado por Bia Purin e Malu Arantes, apresentadoras do canal da Crunchyroll no Youtube. O quadro traz Re:Zero (2016) e Black Clover (2017), sendo que esta última ainda está em exibição no Japão. Ambos tiveram grande sucesso em sua duração, tendo inclusive seus mangás anunciados no Brasil pela editora Panini, e serão exibidas na íntegra, em formato similar ao disponível por streaming, ou seja, com áudio original japonês e legendas em português. Infelizmente, esse formato dificulta que o bloco dialogue com novos públicos e se restrinja a um nicho já acostumado a assistir anime legendado.

Apesar de tudo, isso mostra um possível novo começo para os animes na TV, que com as escolhas certas, divulgação apropriada e um formato que atraia novos fãs, podem voltar a fazer sucesso nas telinhas brasileiras, para a felicidade de todos que aguardavam por esse retorno.


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