Uma Família ‘Incrível’

Escrito por em 4 de julho de 2018

 

ATENÇÃO! ESSA MATÉRIA CONTÉM POSSÍVEIS SPOILERS! APESAR DE TENTARMOS NÃO REVELAR MUITO DETALHES DA TRAMA, ALGUNS ELEMENTOS DO ENREDO FORAM DESCRITOS, E CASO NÃO QUEIRA SABER, PARE DE LER AGORA MESMO.

A espera acabou. Passados 14 anos do lançamento do filme original, a Pixar nos entrega a tão aguardada sequência de um dos seus filmes mais famosos e adorados (quebrando recordes de bilheteria nos EUA e de público no Brasil), cujo espaço no coração dos fãs conquistou no meio das adaptações para filme dos quadrinhos carros-chefes da Marvel (Homem Aranha e X-Men), e a demora de sua sequência foi como um “castigo” para os fãs.

Assim como seu antecessor, Os Incríveis 2 estreou em uma época cuja as adaptações de quadrinhos de super-herói estão em alta, mas agora em seu ápice após a estreia do filme-evento Vingadores: Guerra Infinita, além de competir com Jurassic World: Reino Ameaçado e seu rival de empresa, Homem-Formiga e Vespa, entretanto, isso não impediu o filme de atingir a qualidade “selo Pixar de aprovação” e de contar uma história tão boa quanto as outras adaptações.

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Os Incríveis 2 – Disney/Pixar

O objetivo do filme não é igual à maioria esmagadora das sequências de Hollywood, em que se obriga a ser maior e mais “grandioso” que o original, e sim continuar a história já contada e evoluir seus personagens (o coração da trama). A maior prova disso, é iniciar o longa do exato momento de onde o primeiro parou, nos contando o que aconteceu com a família Pêra após a aparição do vilão Escavador e já colocando elementos da sequência, como é o caso de descobrirmos que Toninho Rodrigues descobriu a identidade de Violeta e teve sua memória apagada (refletindo o arco da heroína-mirim no decorrer da história).

Outro ponto muito positivo do filme é a subversão de papéis relacionados aos componentes familiares e as discussões sociais discretas que ele acaba criando, pois agora o papel é invertido, com Helena saindo de casa para trabalhar e relembrar seus dias de glória como a Mulher-Elástica enquanto Beto fica cuidando das casas e dos filhos. Do lado da esposa, ela está se saindo bem no seu trabalho de heroína, aumentando o apoio da opinião pública para a legalização dos heróis voltar a ser real e salvando as pessoas sem nenhum tipo de dano e/ou destruição à população, mesmo que o vilão Hipnotizador esteja à incomodando.

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Helena, Beto e Zezé – Os Incríveis 2 – Disney/Pixar

Já o marido, triste por não ser escolhido pelos recém-apresentados Winston e Evelyn Deavor para as missões que trariam os heróis de volta à ativa, encontra muitas complicações em lidar com as desilusões amorosas da filha mais velha, as dificuldades escolares do filho do meio e a inédita descoberta dos 17 poderes (!!) do filho mais novo, tendo de fingir um falso sucesso em sua função para salvar a legalização e manter seu orgulho criado pela fama gigante que ganhou sendo O Senhor Incrível.

Além dessa troca de papéis, outra ponte com temas e discussões atuais é um momento do filme em que Evelyn e Helena discutem a influência e o papel das mulheres na sociedade. A primeira cuida da parte criativa da empresa da família, enquanto seu irmão, por ser da equipe de marketing e imagem, acaba levando todo o crédito das criações, mas ela não vê isso como um fator totalmente negativo, pois sabe da sua capacidade e que é fundamental nos negócios familiares. Já a mulher elástica sempre ficou a sombra de seu marido, mesmo tendo um histórico de heroína melhor, e só agora estaria ganhando uma visibilidade mais independente, o que a personagem está plenamente de acordo (inclusive lembrando sua citação sobre o assunto no início do primeiro filme).

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Winston e Evelyn Deavor – Os Incríveis 2 – Disney/Pixar

Mas não só de críticas e discussões vivem o longa. Os problemas e as relações familiares é o que aproxima o filme de outras produções de seu estúdio e o destaca entre os blockbusters. Os pais querendo dar tudo de si para melhorar a vida dos filhos e seu entorno, a filha com raiva pelo desencanto amoroso (causado indiretamente por seu próprio pai) desconta em todos a sua volta, e o filho do meio, cuja personalidade mais imatura e brincalhona sempre tenta levar as situações na diversão, não entendendo/querendo entender a gravidade delas até o ponto que isso não seja mais possível.

O Zezé? Está mais engraçado e carismático do que nunca, e a descoberta de seus poderes não gera só a já citada dificuldade de Beto em cuidar do bebê, mas uma maior união de seus irmãos para aproveitar esse momento, além de originar a participação da amada Edna Moda, que apesar de pequena e breve demais para matarmos a saudade, é certeira e divertida, condizendo com a trama e não criando barrigas de roteiro, concorrendo facilmente como a melhor cena do filme.

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Helena, Edna e Zezé – Os Incríveis 2 – Disney/Pixar

Sobre o vilão, temos aqui uma pequena ressalva. Enquanto aqui temos uma maior preocupação com o núcleo principal de personagens e seu desenvolvimento em comparação ao original, o antagonista aqui é inferior ao memorável Síndrome. Apesar de oferecer novas dificuldades e uma nova discussão a respeito do papel dos heróis na sociedade, a reviravolta envolvendo o Hipnotizador é mais previsível em relação ao seu antecessor, e não se torna tão marcante, entretanto, isso não acaba contribuindo de forma “destrutiva” ao longa, e muito menos te impedindo de aproveitá-lo.

As cenas de ação não são tão intensas em comparação aos filmes de herói que nos acostumamos a assistir, todavia, isso era totalmente esperado, afinal é um filme que parte do público é infantil, e a Pixar não foca suas animações nesse gênero (como o caso da DreamWorks), porém não deixa a desejar em comparação aos seus rivais, explorando as habilidades de cada personagem e nos fazendo sentir a preocupação de cada um com as possíveis consequências de suas falas, tudo isso repassado de maneira “caricata e aparentemente superficial”, como toda boa animação do estúdio consegue fazer.

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O Hipnotizador – Os Incríveis 2 – Disney/Pixar

Os Incríveis 2 é um prato cheio tanto para uma nova geração como para os fãs que esperavam por ele ansiosamente, discutindo temas tanto atuais quanto similares ao primeiro, passando uma mensagem de responsabilidades e relações humanas por meio de uma maneira leve e pitoresca. Mesmo que a concorrência ao Oscar de Melhor Animação seja grande (possível concorrência com os aguardadíssimos WiFi Ralph: Quebrando a Internet e Homem-Aranha no Aranhaverso), suas chances são imensas.

PS: Dificilmente haverá uma franquia do Quarteto Fantástico melhor adaptada que Os Incríveis! 😉

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