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Scissor Seven ganha filme e série derivada e vira a cartada global da animação chinesa

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Sem alarde, a AHAVERSE cravou a data de sua maior aposta: o longa animado de Scissor Seven estreia nos cinemas chineses em dezembro e, logo depois, desembarca no streaming global. É a primeira vez que um donghua — termo usado para animação chinesa — sai da prateleira de séries e assume formato de blockbuster internacional, com orçamento equivalente ao de um grande estúdio japonês.

O anúncio veio acompanhado de um pacote agressivo: uma série derivada focada na adolescência do protagonista Seven, curta-metragens para redes sociais e o licenciamento de mais de 50 produtos. O movimento é visto como resposta direta ao avanço de títulos japoneses que dominam a pauta pop, de One Punch Man a Totoro. A questão agora é se a China consegue transformar volume de audiência em soft power consistente.

Longa-metragem eleva Scissor Seven a blockbuster asiático

Orçado em 15 milhões de dólares, o filme pula da comédia episódica para uma trama de 110 minutos que conecta pontas deixadas nas três temporadas disponíveis na Netflix. A AHAVERSE montou um time de 200 artistas e importou tecnologia de renderização usada por estúdios de Hollywood para entregar panorâmicas da Ilha de Shanan e cenas de luta em 48 quadros por segundo — taxa que rivaliza com o padrão de videogames AAA.

Segundo executivos envolvidos, 30% do script foi reescrito após testes com foco groups ocidentais; o objetivo é não repetir o erro de dublagens engessadas que afastaram parte do público na terceira temporada. A versão internacional já nasce com nove idiomas de áudio, algo que nem séries veteranas de anime japonês conseguem no lançamento.

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Spin-off juvenil mira fãs que cresceram com Naruto e Demon Slayer

A série derivada, batizada provisoriamente de Scissor Seven: Origem, troca o humor nonsense por um arco coming-of-age que acompanha Seven dos 10 aos 15 anos. A ideia é capturar a fatia de audiência que hoje maratona shonens clássicos, mas deseja novas referências culturais. Não por acaso, a AHAVERSE contratou roteiristas que trabalharam em One Punch Man para afinar o timing de piadas e a cadência de batalha.

Os produtores também reservam espaço para participações de Thirteen e Dai Bo, reforçando o pacote de fan service que sustenta vendas de colecionáveis. A estratégia lembra a mobilização de fãs que recentemente levou Totoro ao LEGO Ideas: manter a comunidade engajada fora da tela é tão importante quanto a audiência no play.

Investida expõe corrida por soft power no mercado de donghua

Em 2023, a exportação de animação chinesa cresceu 18%, mas ainda representa menos da metade do faturamento dos estúdios japoneses. Ao colocar Scissor Seven como vitrine, Pequim testa se um IP local pode furar a bolha sem depender de folclore milenar ou artes marciais tradicionais — o humor moderno do barbeiro assassino fala mais de gig economy do que de dinastias.

Nesse contexto, a AHAVERSE costurou acordos com 12 plataformas, incluindo negociações para exibição simultânea em cinemas IMAX de Los Angeles e Seul. É um salto em relação ao lançamento tímido da primeira temporada, que chegou a ser pirateada antes de obter distribuição oficial. Agora, a meta é bater 100 milhões de visualizações globais nos primeiros 30 dias — marca que hoje pertence ao teaser de Dragon Ball: Daima.

Se a ambição vingar, Scissor Seven não será apenas “o maior anime da China”, mas o primeiro a disputar cota de tela lado a lado com titãs japoneses. Para quem acompanha de perto a guerra dos streamings, o filme e a série derivada funcionam como termômetro: ou a indústria chinesa emplaca seu cardápio original agora, ou ficará relegada a terceirizar produção para IPs estrangeiros por mais uma década.

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