Sem alarde, a Marvel Studios renovou o vínculo de Mark Ruffalo e garantiu que o Hulk — o único Vingador ainda 100 % original em campo — volte a esmagar em “Avengers: Doomsday” e “Secret Wars”. O movimento ocorre no exato momento em que cresciam rumores de que parte do elenco fundador ficaria de fora para dar espaço a heróis da fase cósmica.
O efeito colateral veio na mesma velocidade: Jeremy Renner, recuperado do grave acidente de neve, não foi chamado para repetir Clint Barton. Longe dos sets da Marvel, o ator acaba de fechar novas temporadas de “Mayor of Kingstown” e, na prática, abre mão de participar dos dois próximos épicos da franquia.
Contrato relâmpago sela volta do Hulk e embaralha o roteiro de “Doomsday”
Segundo fontes ligadas à produção, Ruffalo assinou extensão pontual: dois filmes e participações em séries de ligação. A pressa se explica. “Doomsday” precisa de um titã que dialogue com o público que estava nos cinemas em 2012, quando o MCU virou fenômeno, ao mesmo tempo em que arruma espaço para peças novas como Nova — ainda em impasse, como admitiu o estúdio recentemente.
Manter o Hulk resolve um obstáculo jurídico antigo: o acordo de distribuição que limitava filmes solo do personagem expirou em 2023, liberando a Marvel para escalá-lo como quiser. Isso explica a aparição do Hulk Cinza no novo filme do Homem-Aranha, teste de popularidade que, agora, vira trampolim para colocar Bruce Banner como força de contenção no conflito com Kang e suas variantes.
Nos bastidores de roteiro, a garantia da volta do Gigante Esmeralda exigiu reescrever sequências inteiras de “Doomsday”. Uma delas retiraria Thor de combate no terceiro ato; com Ruffalo confirmado, Banner assume parte do sacrifício — virada que dialoga com a estratégia de redirecionar a bilheteria, descrita em por que “Brand New Day” pode engolir “Avengers: Doomsday”.
Ausência de Hawkeye expõe a nova lógica orçamentária do MCU
O corte de Clint Barton não é puramente criativo. Cada veterano custa caro em renegociação e renegociar todos de uma vez detonaria o teto de gastos da fase 6. A Marvel decidiu priorizar o músculo do Hulk e a mística da Feiticeira Escarlate — já acertada para aparições surpresa — em vez do arqueiro, cuja série solo não passou de projeto de recuperação de imagem.
Renner, por sua vez, preferiu a estabilidade de um salário fixo na TV e sinais vitais menos perigosos após o acidente que fraturou mais de 30 ossos. Enquanto isso, a franquia preenche a lacuna terrestre de Hawkeye com Kate Bishop, espelhando a estratégia de transição geracional adotada em “Your Friendly Neighborhood Spider-Man”, cuja segunda temporada foi empurrada para depois de “Brand New Day”.
Para o público, a principal consequência é perceber que a Marvel só chamará veteranos quando eles desbloquearem gargalos narrativos ou de marketing. O Hulk garante o último laço emocional com a formação clássica e, de quebra, sustenta cenas de destruição que os novos heróis ainda não entregam. Já Hawkeye, que nunca foi fonte explosiva de bilheteria, vira peça descartável num tabuleiro cada vez mais caro.
Se a aposta dará retorno, só a estreia confirmará. Mas o recado de Kevin Feige é claro: o MCU não quer todos os Vingadores originais de volta — apenas os que ainda vendem pipoca e empurram o enredo para a próxima crise multiversal.
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