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PlayStation ainda despacha 70 mi de discos por ano e complica enterro do formato físico anunciado pela Sony

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Para cada dez cópias de jogo vendidas no ecossistema PlayStation no último ano fiscal, quase três saíram da fábrica em forma de disco — um total de 70 milhões de unidades que teimam em girar nos consoles da Sony. O dado, confirmado pela própria companhia em relatório a investidores, aterra na mesma semana em que a gigante prometeu aposentar a mídia física na próxima geração, provocando protestos de lojistas, colecionadores e até estúdios independentes.

A persistência do disco virou dor de cabeça estratégica: como convencer o varejo a migrar para o download se um quarto do faturamento ainda depende da caixa de plástico? Analistas apontam que o número revela um dilema maior: matar o formato cedo demais pode deixar dinheiro na mesa e entregar à concorrência uma fatia de público que ainda exige posse tangível.

Um quarto da receita ainda gira em discos

Os mesmos relatórios que celebram o crescimento das assinaturas do PlayStation Plus também mostram que 70 milhões de cópias físicas representaram aproximadamente 24 % de todo o software vendido pela marca entre abril de 2023 e março de 2024. A fatia não é marginal: corresponde a algo perto de US$ 2,8 bilhões em valor de capa cheio, segundo estimativas da Ampere Analysis.

É um recuo em relação ao pico da era PS4, quando o físico liderava, mas a queda acontece mais devagar do que a Sony publicamente desejaria. O freio vem, sobretudo, de mercados fora do eixo EUA-Japão: América Latina, Europa continental e Sudeste Asiático mantêm uma cultura de troca, revenda e coleção que o download não substituiu. O Brasil ilustra bem a resistência — basta lembrar a romaria de jogadores atrás de edições de colecionador que nem chegam oficialmente ao país.

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Logística enxuta para a Sony, vitrine cara para o varejo

O paradoxo do momento é que o disco nunca custou tão pouco para a Sony. Consoles modernos dispensam manuais grossos e adotam tiragens sob demanda, impressas em fábricas terceirizadas de mídia óptica que operam quase como gráfica rápida. Enquanto a empresa gasta menos de US$ 1,30 por unidade para prensar e encartar, grandes varejistas somam frete, espaço de prateleira e margem mínima de 15 % para fazer a conta fechar.

É justamente essa pressão de margem que explica a reação ruidosa de redes como GameStop e Amazon. Sem a caixinha azul para atrair público à loja, elas temem virar simplesmente mais um ponto de venda de gift card. A ameaça ganha corpo quando títulos dependentes de microtransações, como Fortnite, abraçam iniciativas de codes in a box que eliminam completamente o disco.

PS6 100 % digital pode abrir flanco para rivais

Ao confirmar que prepara um sucessor sem leitor de mídia — assunto destrinchado no especial “Sony aceita vender menos: PS6 de mil euros será 100% digital para turbinar serviços” — a fabricante aposta que a assinatura e a nuvem compensarão qualquer perda de volume. A matemática faz sentido nos escritórios de Tóquio, mas esbarra em uma variável imprevisível: a reação de concorrentes.

Executivos próximos à Nintendo dizem que a empresa analisa prolongar cartuchos físicos além de 2030 justamente para capturar consumidores deslocados pela decisão da Sony. Já a Microsoft, que vendeu menos Series X|S do que esperava, estuda manter ao menos um modelo com leitor na próxima leva de consoles para se diferenciar.

No fim, o disco PlayStation parece condenado, mas não sem arrancar seus últimos suspiros de mercado. Enquanto 70 milhões de unidades continuarem saindo das prensas todos os anos, o funeral do formato físico ainda terá que esperar — e a Sony, por ora, precisa enfrentar a contradição de vender o que promete enterrar.

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