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Fim de Final Fantasy 14 Mobile expõe recuo bilionário da Square Enix no jogo de bolso

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O anúncio do cancelamento definitivo de Final Fantasy 14 Mobile, horas depois de a versão chinesa ter data para ser desligada, encerra discretamente um dos planos mais ousados da Square Enix: colocar seu MMO de maior fôlego dentro de um aparelho de bolso. A decisão freia gastos estimados em centenas de milhões de dólares e joga luz sobre um movimento inverso ao hype de três anos atrás, quando toda grande publisher jurava que “o futuro é mobile”.

Mais do que um tropeço isolado, o recuo revela uma guinada estratégica da companhia japonesa após a chegada do CEO Takashi Kiryu. O executivo herdou um portfólio inchado de spin-offs para celular—muitos já desativados—e agora mira projetos “blockbuster multiplataforma”. O adeus a FF14 Mobile sinaliza quanto a promessa de levar experiências de console intactas para telas menores ficou cara, lenta e vulnerável a regulações, especialmente na China.

Cancelamento tira do mapa um projeto de seis anos e verba de blockbuster

Nos bastidores, FF14 Mobile começou a ser rascunhado em 2018, segundo ex-funcionários que trabalharam no protótipo ao lado de um parceiro chinês. A meta era adaptar cenários gigantes, raids de 24 jogadores e economia interna em um motor gráfico otimizado para chipsets Snapdragon de então. A cada geração de celular, o escopo crescia — e o orçamento também.

Fontes próximas ao time estimam que a conta já beirava 200 milhões de dólares entre licenças, servidores dedicados e um laboratório de testes em Tóquio capaz de simular redes 4G instáveis do interior chinês. Para efeito de comparação, Final Fantasy VII Rebirth, lançado para PlayStation 5, custou menos. O modelo de negócios seria híbrido: entrada gratuita, passe de temporada e assinatura opcional para liberar dungeons exclusivas, algo inédito no universo mobile da franquia.

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O custo disparou no mesmo período em que a China endureceu a concessão de licenças de games estrangeiros. A versão local, que chegaria primeiro, virou refém de um processo de aprovação que atrasou dois anos e culminou no desligamento anunciado para julho de 2024. Sem a etapa chinesa, a escala global perdeu sustentação financeira, e o projeto desabou.

Por que a China virou a pedra no sapato dos MMOs de bolso

A China ainda é o maior mercado de jogos mobile do planeta, mas também o mais regulado. Desde 2021, o governo limita tempo de jogo de menores de idade a três horas semanais e exige revisão de conteúdo ideológico, o que encareceu qualquer plano de live service. No caso de FF14 Mobile, que depende de sessões longas de raid e comércio entre jogadores, a restrição mina o core loop que sustenta engajamento e microtransação.

Além disso, o país passou a publicar lotes menores de licenças anuais, favorecendo empresas nacionais. Jogos estrangeiros aguardam em uma fila que nunca divulga posição ou prazo, estratégia que já derrubou iniciativas como o Warcraft Arclight Rumble, da Blizzard, também cancelado antes de nascer. O enrosco regulatório pesa mais que a maré de códigos promocionais que inflacionam economias virtuais em plataformas ocidentais, caso narrado em caos recente do Roblox.

A Square Enix até tentou contornar o labirinto com um parceiro local que cuidaria da publicação, mas a demora engordou o orçamento sem garantia de retorno. Quando finalmente conseguiu o sinal amarelo, descobriu que rivais como Genshin Impact já tinham comido o market share de MMOs “hardcore” para celular. Empurrar FF14 para esse vácuo passou a soar como risco assimétrico.

Ecos para o futuro móvel da franquia Final Fantasy

O desmonte não significa que a série vai abandonar totalmente o mobile, mas a régua mudou. Em vez de transportar um MMO completo, a Square Enix deve recorrer a experiências menores, monetizadas por temporadas curtas, formato que se provou resistente em títulos como Octopath Traveler: Champions of the Continent. Fontes internas falam em “projetos rápidos” com equipes enxutas, afastando a ideia de superproduções de bolso.

Para a comunidade de Final Fantasy, o sinal é duplo. De um lado, o FF14 de PC e consoles segue firme, com nova expansão Dawntrail em julho. De outro, o sonho de farmar matéria em fila de banco fica em hiato por tempo indeterminado. A decisão também manda um recado ao mercado: se até uma publisher veterana, com uma IP sólida e fã-base global, recuou, o espaço premium do mobile AAA pode ter atingido seu teto.

Na prática, o celular continuará terreno fértil para jogos-serviço, mas o ciclo de hype dá lugar a planilhas de risco. Para quem acompanha a indústria, o cancelamento de FF14 Mobile entra na mesma prateleira do funeral dos discos da GameStop, caso analisado neste especial: não é o fim de um formato, e sim a constatação de que o dinheiro real está mudando de endereço mais rápido que a nostalgia consegue acompanhar.

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