Quando o estúdio MAPPA divulgou aos acionistas o “power chart” usado para guiar as cenas da segunda temporada de Hell’s Paradise: Jigokuraku, o fandom percebeu o impensável: o protagonista Gabimaru sequer aparece entre os três mais fortes. O ranking interno vazou em fóruns japoneses entusiasmados com a volta do anime e colocou luz num trunfo editorial pouco discutido.
Ao inverter a clássica escalada de poder dos shonen, a série de Yuji Kaku transforma cada luta em aposta de vida ou morte — e alimenta a conversa online em um momento em que a própria Jump sofre para surpreender leitores, como se viu no duelo desigual entre One Piece e Hunter x Hunter no Oricon. O documento também confirma que MAPPA tratou os vilões imortais, os Tensen, como “chefes de jogo”, com tabelas de atributos que influenciaram animação, corte de quadro e até paleta de cores.
Ranking rompe a escada de poder tradicional do shonen
Diferente da progressão quase linear vista em Dragon Ball ou Black Clover — cujo novo “poder divino” já causou alvoroço entre fãs, segundo levantamento da Radio Geek —, Hell’s Paradise distribui a força de modo que a hierarquia nunca fique estável. Isso permite que aliados se tornem ameaça, vilões virem tutores e batalhas terminem sem vencedor claro. O vazamento confirma que o autor escreveu boa parte do clímax sem garantir quem venceria, obrigando o estúdio a criar múltiplos roteiros de animação antes do corte final.
Outro detalhe que passa despercebido: na planilha constam dois tipos de “poder” — físico e Tao, energia mística que os Tensen dominam. MAPPA adotou uma cor para cada parâmetro (vermelho para força bruta, azul para Tao) e calibrou o contraste a cada episódio conforme o personagem gastava recursos, algo que deve ficar ainda mais evidente com as cenas refeitas para Blu-ray.
Os 10 nomes que comandam a ilha de Shinsenkyo
A seguir, a ordem oficial compilada pela produção. A lista difere de votações de fãs e explica por que certas coreografias foram suavizadas ou reforçadas na primeira temporada.
- Rien – Única Tensen que manipula Tao yin-yang ao nível divino; imortalidade quase absoluta.
- Ran – Mestre em ataques de longa distância e regeneração instantânea.
- Mu Dan – Híbrido que mistura botânica tóxica com artes marciais; veneno que perfura pele e alma.
- Tao Fa & Ju Fa – Gêmeos que lutam em sincronia, somando estilos de corte e explosão de energia.
- Zhu Jin – Especialista em metamorfose; adapta o corpo conforme o inimigo.
- Gabimaru, o Vazio – Habilidade ninja lendária, mas consumo alto de Tao o deixa vulnerável em lutas prolongadas.
- Chobe Aza – Desenvolve instinto assassino que imita o Tao dos Tensen; poder cresce a cada golpe recebido.
- Shugen – Mais técnico entre os espadachins Yamada Asaemon, corta fluxo de energia antes de atingir o alvo.
- Gantetsusai Tamiya – Espadão de duas mãos abre fendas no terreno, mas sofre contra usuários de Tao.
- Nurugai – Velocidade absoluta em terreno selvagem; pontuação baixa apenas em potência ofensiva.
Como o anime traduziu essas diferenças na tela
Cenas de Rien e Ran receberam até 20 camadas de efeitos de pós-produção para destacar a aura Tao, enquanto combates de Gabimaru ganharam cuts crus e sem motion blur, reforçando a ideia de luta suja. Já Chobe, que não alcança o topo do ranking, foi redesenhado nos episódios finais para parecer mais feral, sinal de que MAPPA planeja inflar a presença dele na continuação.
A reordem oficial não só alimenta discussões de bar — poucos esperavam Gabimaru fora do pódio — como também dita expectativas de roteiro. Se o herói ainda tem dois degraus para subir, o público sabe que a série vai abandonar o conforto do “protagonista invencível”. E esse, talvez, seja o sopro de risco que a Jump precisava para manter a relevância em 2024.
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