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Naruto foi inspirado em Ninku, admite Kishimoto — e isso reescreve 25 anos de história do shonen

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Masashi Kishimoto quebrou um mito que circulava desde o primeiro capítulo de Naruto. Em entrevista para o dossiê comemorativo dos 55 anos da Weekly Shonen Jump, o autor revelou que a centelha inicial do mangá não veio de Dragon Ball, mas de Ninku, série de 1993 hoje quase esquecida, onde ninjas infantis manipulavam vento e usavam protetores de testa.

A mudança de paternidade pode soar irrelevante, mas embaralha bruscamente a hierarquia criativa que orienta fãs, estudiosos e até licenças multimilionárias. Ao deslocar Goku do trono inspirador, Kishimoto reabre a discussão sobre quais obras realmente pavimentaram o shonen moderno e desafia o discurso de que basta replicar o modelo Dragon Ball para chegar a um fenômeno global.

Pai biológico do hit ninja estava escondido à vista de todos

Ninku, criado por Kōji Kiriyama, foi serializado na mesma revista entre 1993 e 1995, ganhou anime em 1995 e desapareceu depois de vendas modestas. Mesmo assim, o mangá introduziu signos que saltariam para Naruto oito anos depois: o herói que controla vento, o clã destruído e, sobretudo, a bandana que substitui chapéus e lenços típicos do folclore japonês. Kishimoto conta que guardou a ideia da bandana porque “parecia unir tradição ninja e design pop em um único traço”.

Ao admitir a influência agora, o autor também explica escolhas visuais curiosas do primeiro arco — como as goggles verdes de Naruto, trocadas por protetores de metal no capítulo 4. O acessório era a marca registrada de Fūsuke, protagonista de Ninku. Na época, fãs brasileiros atribuíram a mudança à pressão da revista por algo “mais vendedor”. A nova declaração revela que foi, na verdade, uma guinada consciente para disfarçar a semelhança quando o mangá começou a despontar.

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Repercussão ecoa nos estúdios e no bolso dos colecionadores

Editores da Shueisha consultados sob reserva avaliam que a fala de Kishimoto devolve Ninku ao radar e pode disparar um movimento de resgate, semelhante ao que a Bandai promoveu ao relançar o trio lendário de Johnny Ridden nas prateleiras de Gundam. A Toei, que detém parte do catálogo do anime, estuda liberar os 55 episódios em streaming ainda este ano, adiantaram executivos em Tóquio.

No ocidente, a novidade já movimenta o mercado de memorabilia. O leilão virtual Mandarake registrou alta de 230 % no preço dos volumes encadernados de Ninku 24 horas depois da entrevista. Na esfera editorial, a mudança de narrativa também interessa à Netflix, que desenvolve o live-action de Naruto. Segundo um produtor ligado ao projeto, a equipe estuda inserir um easter egg de Ninku logo na cena de abertura para “honrar a linhagem correta”.

Mais do que nostalgia: lição de sobrevivência para o próximo shonen

Ao trocar Goku por Fūsuke como referência-mãe, Kishimoto envia um recado pouco confortável à indústria: inspiração se dá na contramão do blockbuster, não no rastro. É a lógica que levou séries como Clannad a envelhecer melhor que muitos sucessos de bilheteria dos anos 2000 e explica por que a Crunchyroll aposta em projetos inusitados para 2026.

Para os leitores, fica a provocação: quantas outras pérolas menores sustentam colossos da cultura pop sem jamais serem creditadas? Se Ninku escapou por 25 anos, talvez a próxima revolução do shonen esteja perdida em algum volume sobre o qual ninguém mais fala — ainda.

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