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Bilheteria meteórica de The Odyssey reacende aposta de Hollywood nos mitos antigos

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A primeira cena ainda nem esfriou no projetor e The Odyssey já destronou tudo que Hollywood lançou este ano: foram US$ 51,2 milhões só na sexta-feira e projeção de ultrapassar US$ 120 milhões no fim de semana nos Estados Unidos, novo pico para um épico literário no século 21.

O número, além de colocar Christopher Nolan no raro clube de diretores que convertem clássicos em blockbusters, funciona como recado: o público, cansado do beabá de heróis mascarados, está disposto a comprar outros mitos — desde que entregues com escala e personalidade de autor.

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A Universal investiu cerca de US$ 180 milhões na produção, filmada em locações reais na Grécia e em gigantescos tanques d’água no Reino Unido. A estratégia de priorizar IMAX, repetindo o modelo de Oppenheimer, deixou o tíquete médio 18% mais alto do que a média das estreias de ação de 2023, segundo redes exibidoras.

O estúdio enxergou brecha justamente onde os heróis de colarinho apertado patinam: entregar espetáculo sem obrigação de sequência imediata. Enquanto a Disney amarga a primeira queda de dois dígitos consecutivos na procura por filmes do MCU, o poema atribuído a Homero — livre de “fases” e universos compartilhados — vira narrativa fechada e, paradoxalmente, refrescante.

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Dentro da própria trajetória de Nolan, o recorde também reordena forças em Hollywood. Ele saiu da zona de conforto da Warner depois do atrito sobre streaming no lançamento simultâneo da pandemia e foi cortejado pela Universal com prazo de 100 dias de exclusividade em salas antes do digital, política mais rígida que a adotada pela Sony quando trocou o dólar pela moeda local na PS Store para conter contas fantasmas. A mensagem é clara: quem garante janela longa ainda leva os grandes autores.

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Escalar Damon como Odisseu fez o filme furar a bolha dos cinéfilos: 42% do público de estreia tinha entre 18 e 24 anos, faixa etária que não costuma correr atrás de adaptações de literatura clássica, conforme a pesquisa de saída da PostTrak. O estúdio apostou em campanhas dentro de plataformas sociais onde esse grupo consome storytelling serializado, como TikTok e, ironicamente, Roblox.

Na rede de jogos, influenciadores replicaram desafios de “volta para Ítaca” em mundos como Monkey Soccer e Dog Race, usando a mecânica já testada na corrida por códigos de Death Order. O empilhamento de micro-experiências traduz o épico antigo em miniquest contemporânea e, de quebra, gera dados de engajamento em tempo real para o marketing do filme.

Resultado: 67% dos ingressos do sábado foram comprados antecipadamente online, marca inédita para um longa histórico, segundo a Fandango. Esse comportamento aproxima The Odyssey de franquias gamers e sugere que a bilheteria não depende somente da crítica — que, aliás, deu 92% de aprovação no Rotten Tomatoes.

Rivais correm para tirar poeira de catálogos literários

Com a barreira dos US$ 100 milhões rompida por um texto grego do século VIII a.C., executivos de estúdios já aceleram projetos adormecidos. A Paramount reativou a adaptação de A Ilíada, também especulada para 2026, enquanto a Netflix sinalizou interesse em transformar a Eneida em minissérie de alto orçamento.

O fator-tempo pesa: The Odyssey estreou em um março sem feriado prolongado, fugindo da tática pré-verão que domina a agenda de blockbusters. Se a performance se mantiver estável, o filme encerra a temporada de primavera com faturamento interno capaz de rivalizar com lançamentos natalinos – e prova que a audiência talvez não queira intervalo para trocar de mito.

Na prática, o sucesso reposiciona o mercado: orçamentos grandes voltam a circular para histórias fora de franquias contemporâneas, roteiristas ganham fôlego para adaptar textos de domínio público (baratos em direitos) e o público descobre que os deuses gregos podem ser tão barulhentos quanto qualquer martelo asgardiano.

Odisseu ainda tem longa viagem na bilheteria mundial, mas o farol já está aceso: a era dos épicos literários, aparentemente, renasceu — e as salas agradecem a inesperada mudança de rota.

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