O Kamehameha vai pular da tela para os pés: a Converse revelou nesta terça-feira (11) o primeiro olhar oficial sobre a coleção Dragon Ball Z que estreia em julho de 2026, com sete modelos divididos entre Chuck 70 e One Star. O pack cobre de Goku a Cell e aposta até em um par “dupla-face” que homenageia a fusão Gogeta, conceito inédito na linha da marca.
O anúncio não é mero fan-service. Ele marca a largada de uma disputa silenciosa no licenciamento de anime, mercado que movimentou US$ 15 bilhões em 2023 e que ficará ainda mais aquecido com o novo filme de Dragon Ball previsto para 2025. A Converse quer provar que ainda tem voz depois de ver Nike, Adidas e até a homônima brasileira Rainha avançarem em colaborações de peso com a cultura pop.
Sete pares contam a saga de forma nada óbvia
Ao invés de repetir visual de pôster, a coleção conversa com momentos-chave da série. O Chuck 70 de cano alto traz o laranja clássico de Goku, mas com camadas internas em tecido rasgado que revelam o ki azul do Super Saiyajin Blue. Já o One Star de Cell usa estampa hexagonal com pintura termoativa: quanto mais calor, mais o verde do vilão ganha pigmento amarelo, simulando a evolução para a Forma Perfeita.
O par mais comentado nos bastidores — e que reforça a tese de inovação como diferencial — vem dedicado a Gogeta. O tênis chega em caixa dupla: metade esquerda exibe detalhes de Goku, metade direita de Vegeta. Quem quiser a combinação tradicional precisará trocar cadarços e palmilhas, gesto que reproduz a dança da fusão e deve pipocar nos unboxings do TikTok.
Completam a linha:
- Vegeta Príncipe dos Saiyajins (couro azul marinho e lingueta de tecido metálico);
- Piccolo Namek Power-Up (verde musgo com tira removível que imita a capa branca);
- Gohan vs Cell Games (painel lateral bordado com a cena do Kamehameha Pai-Filho);
- Majin Buu Rosa Choque (camurça tingida e midsole respingada de tinta preta).
Lançamento mira a “janela seca” entre filme e série nova
Quem acompanha a franquia sabe que 2025 será ocupado pelo longa animado produzido pela Toei. A série de TV, por sua vez, só deve retornar em 2027. Segundo executivos do varejo ouvidos pelo portal, o calendário de julho de 2026 foi escolhido justamente para evitar canibalizar produtos vinculados ao filme, mas manter Dragon Ball na conversa dos fãs — lógica semelhante à que a Takara aplicou ao ressuscitar Lio Convoy, como mostramos em reportagem recente.
Além da agenda, a Converse tenta capturar um vácuo de preço. Com as collabs premium da Nike passando dos R$ 1.000, a marca planeja posicionar os pares DBZ entre R$ 529 e R$ 649, faixa que a pesquisa interna indica como “aceitável para presente” entre consumidores de 18 a 35 anos. O ticket médio, se confirmado, deve dobrar o faturamento de coleções anteriores da Converse no Brasil, segundo projeções da própria distribuidora.
Por que isso importa além da nostalgia
O impacto não fica restrito ao colecionismo. Especialistas em licenciamento enxergam o movimento como prenúncio de uma disputa por exclusividade regional. Caso a linha Dragon Ball bata a meta de vendas em 90 dias, a Toei pode conceder à Converse a prioridade para futuras sagas — inclusive Dragon Ball Daima, ainda envolta em rumores. Isso colocaria a marca de lona à frente de rivais que normalmente dominam o varejo de performance.
Para o público, a coleção também sinaliza uma virada de design: produção local de partes do cabedal em vez de importação 100% chinesa. A paineleira que imprime as artes de Cell e Majin Buu fica em Franca (SP) e deve empregar 120 pessoas temporariamente até outubro de 2026. Se o Kamehameha nos cadarços pegar, a explosão será sentida bem longe de Namekusei — começando pela indústria nacional de calçados.
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