O cheiro de glacê ainda nem saiu do forno e já há fila virtual: a Krispy Kreme confirmou a chegada de quatro donuts temáticos de Pokémon às lojas norte-americanas nas próximas semanas, na primeira parceria oficial entre a rede e a marca japonesa nos Estados Unidos. O cardápio coloca Pikachu, Charmander, Squirtle e Bulbasaur para disputar espaço com o clássico Donut Original Glazed, mas o alvo declarado não são as crianças — é o bolso dos trintões criados no Game Boy.
A ofensiva açucarada acontece no ano que antecede o 30º aniversário da série e escancara a guinada da The Pokémon Company para produtos de consumo imediato, baratos na parcela unitária, mas de giro alto. Depois que bonecos premium como o Optimus Prime de R$ 6 mil provaram a fome nostálgica dos adultos, agora a marca testa a mesma emoção em escala fast-food — justamente quando a inflação de alimentos tira o sono do consumidor médio americano.
Pokémon troca cartas por açúcar para segurar fãs adultos em pleno aperto no bolso
O gesto tem lógica: enquanto o preço das cartas colecionáveis explodiu e a febre dos TCG shows sofre com revenda agressiva, um donut de US$ 3 soa inofensivo. Por menos que o valor de um booster, o comprador leva para casa o mascote recheado de creme e publica a foto no feed — marketing gratuito para ambas as empresas. Internamente, executivos da franquia defendem que “pequenos luxos acessíveis” mantém o fã engajado entre um jogo e outro sem exigir investimento alto.
Não é coincidência que a Krispy Kreme aposte em designs 3D, com cobertura que imita a bochecha elétrica de Pikachu ou a chama de Charmander. São formatos mais caros de produzir, mas que justificam a venda em caixas colecionáveis, prática que a rede utiliza em colaborações limitadas para aumentar o ticket médio. A própria companhia admite que parcerias geek podem elevar o tíquete em até 28 % durante o período de campanha.
Por que a Krispy Kreme se tornou a nova vitrine de marcas japonesas
Nos últimos dois anos, a rede ensaiou collabs com Sonic, Hello Kitty e até Gundam em mercados asiáticos. Agora, com Pokémon, os EUA entram oficialmente na rota. Para analistas de varejo, a escolha não é casual: o país segue como maior praça de merchandising da franquia (fora o Japão) e registra recuperação no tráfego de lojas físicas. Levar o pop japonês às vitrines, portanto, vira ferramenta de atração imediata — algo que grandes livrarias perderam após o recuo das revistas em quadrinhos impressas.
Outro ponto: a Krispy Kreme é quase onipresente em eventos esportivos e aeroportos, locais onde a rotatividade favorece edições limitadas. A estratégia contrasta com a exclusividade de boutique que Bandai e Marvel adotaram em recentes investidas, como a linha Barbatos destruído ou os quadrinhos mangá da Casa das Ideias. Aqui, a aposta é volume puro: quanto mais gente tirar foto do donut-Pokébola, maior o efeito de rede.
O detalhe que antecipa o plano para a festa de 30 anos
O release americano menciona discretamente um “número 30” estampado na caixa comemorativa — referência direta ao aniversário de 2025. É a primeira vez que o selo aparece em um produto fora do Japão, sinal claro de que o calendário de celebrações já começou. Fontes ligadas a fornecedores de brindes sugerem que fast-foods rivais, como McDonald’s e Starbucks, receberam pitches semelhantes para o primeiro semestre do ano que vem.
Se confirmado, veremos uma guerra de sobremesas licenciadas disputando o mesmo espaço das tradicionais cartas de brinde. E o consumidor? Entre uma mordida de donut e outra, ele reforça o vínculo emocional que faz da marca Pokémon — avaliadas em mais de US$ 15 bilhões em produtos licenciados — um caso quase único de longevidade pop. Para quem achava que a nostalgia tinha limite de açúcar, a Krispy Kreme acaba de provar o contrário.
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