O demônio que obrigou Goku e Vegeta a fundirem suas forças em 1995 acaba de escapar do limbo dos filmes não canônicos. A Toei Animation confirmou para dezembro o lançamento de uma figura S.H.Figuarts de Janemba, com divulgação em painéis oficiais que o apresentam como “o próximo rival lendário”.
A peça pode parecer só mais um produto de colecionador, mas o timing denuncia algo maior: ao repetir o roteiro que transformou Broly em astro de bilheteria em 2018, o estúdio sinaliza que prepara o vilão para entrar na história principal de Dragon Ball – e, de quebra, testar a disposição do fandom a gastar antes de apostar num novo longa.
Relançamento insinua ensaio de canonicidade
Quando Broly ganhou bonecos atualizados em 2017, um ano antes de “Dragon Ball Super: Broly”, poucos perceberam que era o primeiro passo de uma estratégia de aquecimento de marca. O mesmo padrão agora recai sobre Janemba: exposição em eventos, material promocional com selo Dragon Ball Super e integração imediata a jogos mobile como Dokkan Battle e Legends. Dessa vez, porém, há um ingrediente extra — a chegada de Dragon Ball Daima em 2024, série que promete “redescobrir” vilões clássicos.
Executivos ouvidos em feiras do setor costumam repetir que a Toei evita riscos financeiros desde que a pandemia esfriou o calendário de cinema japonês. Ao reaproveitar antagonistas prontos, o estúdio corta tempo de pré-produção e garante uma base de fãs já disposta a comprar. O movimento acompanha a indústria de colecionáveis: a Bandai, que lançou recentemente um Gundam em ruínas para surfistas de nostalgia, viu as vendas do segmento crescerem 21 % no último ano fiscal.
Modelo Broly inspira aposta na nostalgia — e no streaming
Broly arrecadou US$ 124 milhões e tornou-se o filme de maior bilheteria da franquia, mas o lucro real veio da cauda longa no streaming global. A Crunchyroll (hoje propriedade da Sony) reportou picos de novos assinantes nas semanas subsequentes à estreia digital. Repetir a fórmula com Janemba permitiria atrair tanto quem cresceu alugando VHS de “Fusion Reborn” quanto a geração que consome clipes recortados no TikTok.
Há ainda o fator internacional. Depois que “Fullmetal Alchemist: Brotherhood” recebeu dublagem em hindi e tâmil, revelou-se a corrida das plataformas pelo bilhão indiano — tema que abordamos em análise recente. Dragon Ball, já popular no país, pode usar Janemba como isca para novos idiomas e pacotes regionais sem mexer em arcos inéditos de roteiro.
O que muda para o futuro da franquia
Se a recepção do colecionável e dos eventos digitais for positiva, Janemba tende a ser promovido a antagonista oficial em um próximo filme ou arco de Super. Isso atenderia ao apelo dos fãs por ameaças “de peso” após a recepção morna a Moro e Granolah nos mangás. Além disso, a complexa forma demoníaca do vilão resolve um problema recorrente de Goku: dar motivo plausível para uma nova fusão de Gogeta, artifício que turbina vendas de bonecos duplos.
No curto prazo, quem coleciona deve ficar atento: as remessas iniciais da S.H.Figuarts já esgotaram em pré-venda no Japão, e revendedores projetam ágio de até 60 % antes mesmo do embarque. Para o espectador casual, o ritmo acelerado de anúncios indica que 2025 não passará em branco — e que o próximo grande inimigo de Goku talvez já tenha mostrado a cara, 29 anos atrás, no inferno de um filme que muita gente considerava esquecido.
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