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Voz de Yuji em Jujutsu Kaisen explica por que treinou Muay Thai para a próxima fase do anime

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Adam McArthur chegou ao painel de Jujutsu Kaisen na San Diego Comic-Con 2026 sem mangá na mão, mas com luvas de treino penduradas no ombro. O dublador de Yuji Itadori contou que passou os últimos seis meses no tatame de um ginásio de Muay Thai, convencido de que só entenderia a próxima virada do personagem após sentir no corpo o impacto que Yuji sofre em tela.

A admissão derruba o mito de cabine hermética na dublagem e sinaliza uma nova estratégia do estúdio americano: levar o ator a experimentar fisicamente a dor, o fôlego e o peso do golpe antes de ligar o microfone. O resultado — definido por McArthur como “grito com memória muscular” — já poderá ser notado na adaptação do arco Jogos de Extermínio, previsto para outubro.

Artes marciais fora do estúdio moldam cada grito de Yuji

McArthur pratica artes marciais desde a infância, mas o treinamento formal em Muay Thai começou depois que a direção pediu “menos heroísmo genérico e mais impacto lombar” nos takes finais da temporada anterior. Segundo ele, os chutes repetidos em saco de areia ajudaram a calibrar a respiração curta que acompanha o personagem quando Sukuna assume parte do controle.

O ator gravou movimentos de sombra para o time de Foley, fornecendo referências sonoras de chute, giro e pancada que serão mixadas à trilha original. A iniciativa segue a tendência que já colocou a regra dos 180 segundos em debate: ação que comece explosiva precisa soar autêntica logo na largada.

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Visão do ator antecipa tom mais sombrio da próxima temporada

No palco da SDCC, McArthur foi cauteloso com spoilers, mas deixou escapar que Yuji “nunca esteve tão humano nem tão perigoso”. A frase se encaixa nos capítulos do mangá em que o protagonista questiona o próprio mérito de viver — um subtexto que o intérprete promete destacar pelo cansaço vocal, não por discursos emotivos.

Bastidores de dublagem: cronograma enxuto e liberdade criativa

Com a transmissão simulcast confirmada, o elenco tem apenas dez dias entre receber o roteiro traduzido e gravar a versão definitiva. Para vencer o relógio, McArthur grava duas tomadas limpas e uma “suja” — na qual improvisa variações de suspiros e tosse — que o estúdio japonês pode adotar ou descartar. O procedimento, incomum até pouco tempo, virou padrão após a pandemia acelerar produções híbridas.

O controle de qualidade passa por três mesas: direção americana, consultoria do estúdio MAPPA e aprovação final do comitê japonês. O diálogo constante, diz o dublador, reduz o risco de discrepâncias culturais, mas também endossa cenas mais viscerais. “Se escuto meu osso imaginário rachar, o fã vai ouvir também”, resume.

A estratégia alimenta expectativas de que Jujutsu Kaisen lidere a temporada de outono com a mesma força que Demon Slayer mobilizou este ano. Para o público brasileiro, acostumado a maratonar diálogos sobrepostos por legendas, a nuance vocal pode passar despercebida — daí o recado direto de McArthur: “Ouça de fone. Yuji vai chutar a caixa torácica do seu tímpano”.

Enquanto a agenda de convenções explode até dezembro, o ator mantém o tatame como estúdio suplementar. A cada nova manopla rasgada, Yuji Itadori ganha um timbre mais rouco — lembrando que, atrás da maldição, existe um corpo real pagando a conta.

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