A DC Studios derrubou o roteiro que vinha desenvolvendo para Booster Gold e dispensou a equipe original antes mesmo de o herói fanfarrão ganhar corpo diante das câmeras. A manobra surpreende não pela troca – rotineira em Hollywood –, mas pela velocidade: o comunicado interno circulou menos de cinco meses depois de James Gunn usar o personagem como vitrine do “Capítulo 1: Deuses e Monstros”.
Nos bastidores, produtores descrevem a decisão como um “pit stop forçado” para alinhar tom e cronograma com Superman, pivô de todo o novo DCU. Essa pressa explica por que Booster Gold deve sair do papel apenas com um showrunner capaz de dialogar com Lanterns e dividir referências pop sem perder a carga emocional exigida por Gunn.
Cancelamento parcial esconde reposicionamento de data e orçamento
Oficialmente, só o “projeto atual” foi cancelado. Na prática, a DC evita chamar de reboot algo que ainda nem nasceu, porque o contrato com a HBO – braço de streaming da Warner Bros. Discovery – continua intacto. O que muda é o slot de estreia: antes cogitado para 2026, o seriado agora corre para 2027, depois de Superman e possivelmente lado a lado com The Batman 2.
Com isso, o orçamento originalmente pensado para efeitos de viagem temporal – marca registrada do herói – foi redimensionado. Fontes de dentro da DC falam em migrar parte da verba para a minissérie Clayface, prioridade recente do estúdio. O recálculo indica que Booster não perderá escala, mas terá menos episódios para gastar sua ironia.
Função narrativa obriga série a conversar com Lanterns e Superman
James Gunn vê Booster Gold como o “peixe-fora-d’água” que mostrará ao público comum como é acordar num universo dominado por deuses e monstros. Para cumprir essa meta, a nova equipe de roteiristas recebeu orientação de cruzar a trama diretamente com a investigação policial de Lanterns. A ideia é usar um caso mal resolvido pelo herói viajante no tempo como pista para o vilão de Lanterns, criando o primeiro “mini-evento” do DCU televisivo.
Ao mesmo tempo, o protagonismo deslocado do Superman de David Corenswet exige que Booster Gold seja menos farsesco do que versões anteriores, como a do Arrowverse. O novo rascunho estabelece que Michael Jon Carter começa a série falido em Metrópolis no dia seguinte à batalha que abrirá o filme de 2025. Isso conecta a comédia a um universo já em movimento – algo que Gunn considera vital para afastar qualquer cheiro de reboot preguiçoso.
Escolha do showrunner deve definir se série permanece em Los Angeles
Toda a reengenharia agora depende do nome que vai assumir o leme criativo. A HBO procura alguém com passagem por produções de humor ácido, mas que também domine efeitos visuais de médio porte. Entre os cotados, despontam roteiristas de Barry e Cobra Kai. O vencedor carregará a tarefa extra de integrar Booster a campanhas de marketing transmídia, movimento já testado no anel inteligente de Lanterns.
Se o novo comandante preferir um hub de filmagens canadense, a série pode migrar para Vancouver, berço do antigo Arrowverse, mas Gunn é vocal sobre concentrar o DCU em Los Angeles para reduzir ruído logístico. O destino do set, portanto, virou peça-chave não apenas de orçamento, mas de identidade: definir onde Booster pousa é definir onde a DC pretende fixar sua próxima era.
Até que a poeira baixe, o herói viaja no tempo apenas no papel. Para o público, fica o recado: se Booster Gold ainda é prioridade, nenhuma produção do DCU está totalmente segura – e cada passo atrás pode ser, na verdade, uma tentativa de pular mais longe.
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