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Relógios que fazem drift: Initial D usa pai e filho para liderar a corrida da nostalgia de luxo

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Trinta minutos. Esse foi o tempo necessário para que o par de relógios comemorativos de Initial D esgotasse as primeiras pré-vendas no Japão nesta quarta-feira (10). Cada peça carrega, no mostrador, o painel de instrumentos dos carros que eternizaram a série — o Toyota AE86 Trueno de Takumi Fujiwara e o Subaru Impreza WRX STI de seu pai, Bunta — e custa o equivalente a R$ 3,5 mil.

A corrida por apenas 1.500 unidades de cada modelo mostra que, três décadas depois, a franquia não precisa de mangá novo nem de anime na TV para continuar imprimindo pneu na cultura pop. O segredo? Transformar a rivalidade familiar que dominou os desfiladeiros de Gunma em objeto de luxo portátil, mirando colecionadores que hoje têm carteira tão pesada quanto o motor boxer do WRX.

Do AE86 ao WRX, o touge agora marca as horas

Assinado pela Seiko sob a linha Speedtimer, o kit de aniversário vai além da estética preta e branca do lendário Trueno. O vidro recebe tratamento antirreflexo que imita o acabamento fosco do capô de carbono, enquanto a coroa reproduz o grafismo “Fujiwara Tofu Shop” que Takumi exibia nas portas durante suas entregas madrugueiras. No modelo azul, o anel taquímetro surge em tom “World Rally” e o fundo da caixa ostenta o número de chassi GC8, código do WRX de Bunta.

Embora pareçam mimos para fãs de nicho, os relógios carregam movimento automático calibre 8R46 — o mesmo usado em cronógrafos esportivos da marca que ultrapassam R$ 9 mil. Ou seja: não se trata de merchandising genérico, mas de produto que conversa com o mercado suíço de entrada. Para quem viveu a febre de “running in the ’90s”, cada segundo no pulso ecoa o motor 4A-GE girando a 8.000 rpm no downhill.

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Licenciamento premium corre mais rápido que um drift nas vendas

Quando o mangá completou 20 anos, em 2015, a Kodansha lançou apenas uma coletânea especial. Agora, no 30º aniversário, a estratégia virou de ponta-cabeça: há tênis, jaquetas racing e até um simulador oficial em tempo real. O par de relógios coroa uma tendência que já transformou em grife desde Transformers a patos de borracha de Naruto. Quem manda nessas pistas é a urgência de capturar fãs de 30 a 45 anos, faixa que se recusa a deixar a carteira no armário.

No caso de Initial D, o timing é ainda mais calculado: o sucessor espiritual MF Ghost acaba de ganhar anime e reacendeu o interesse por corridas de estrada. As filas virtuais de hoje sinalizam que a produtora Avex está pronta para repetir o movimento no Ocidente, onde a cultura de carros JDM virou status pós-pandemia. Se a tendência continuar, o próximo passo pode ser uma edição limitada que reúna também Ryosuke Takahashi — completando a trindade de pilotos lendários e, claro, aumentando o tíquete médio para um patamar tão íngreme quanto o Monte Akina.

Até lá, quem conseguiu garantir o relógio vai carregar no pulso mais do que nostalgia: leva um lembrete diário de que, na corrida entre pai e filho, o tempo ainda é o rival mais duro de ultrapassar.

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