Simu Liu precisou de apenas uma palavra para transformar um detalhe de catálogo em discussão de peso. Ao responder “seriously?” ao ver que Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis ficou de fora da watchlist oficial de Avengers: Doomsday no Disney+, o ator deixou claro que o herói mais lucrativo da Fase 4 não está aceitando ficar no banco de reservas.
A reação acendeu o farol sobre algo maior do que uma simples falha de curadoria. A exclusão sinaliza uma recalibragem silenciosa da Marvel, que, entre cortes de custo e mudanças de liderança, decidiu empurrar certos personagens — especialmente os que ainda não têm trilogia confirmada — para fora do primeiro plano enquanto faz barulho em torno de novos mutantes, como a Jean Grey de Sadie Sink.
Watchlist sem Shang-Chi revela filtro estratégico que prioriza mutantes e nostalgia
A lista “Prepare-se para Doomsday”, liberada na aba do futuro filme, reúne 14 títulos que formariam a espinha dorsal da trama, de Vingadores: Ultimato a Loki. Chama atenção a inclusão de produções que performaram abaixo do esperado — caso de Eternos — e a ausência de um longa que arrecadou US$ 432 milhões em plena pandemia e deixou um gancho direto para a ameaça multiversal por meio do misterioso sinal emitido pelos Dez Anéis.
Nos bastidores, executivos têm repetido que a plataforma usa “dados de engajamento” para montar seleções. Ocorre que, segundo analistas de streaming, Shang-Chi sustenta tempo de exibição similar ao de Doutor Estranho 2, que entrou na lista. O corte, portanto, parece menos cálculo algorítmico e mais reposicionamento editorial: a Marvel quer que o espectador associe o evento ao renascimento dos X-Men, algo reforçado pelo redesign de Jean Grey e pelo novo logo de Vingadores 6, que abandona cores clássicas para abraçar o vermelho dos mutantes.
Resposta de Simu Liu escancara desconforto com a hierarquia interna da Fase 5
O “seriously?” publicado no X (ex-Twitter) veio sem explicação adicional, mas bastou para mobilizar fãs que veem na omissão um retrocesso na representatividade asiática dentro do MCU. O timing não podia ser pior: a Disney negocia cortes de até US$ 5,5 bilhões e avalia quais franquias receberão orçamento para sequências. Na reunião trimestral de investidores, Bob Iger citou Deadpool 3 e Fantastic Four; Shang-Chi 2 não foi mencionado.
No set de Hollywood, agentes leem a postagem de Liu como recado direto ao estúdio: sem visibilidade, qualquer possível crossover do herói com Vingadores pode perder fôlego de bilheteria. E há precedente. Quando Mike Colter reclamou publicamente da ausência de Harlem em seu retorno como Luke Cage, o conteúdo oficial da Marvel sobre o personagem passou a destacar o bairro nova-iorquino — movimento que acalmou fãs e manteve o ator na mesa de negociação.
Para onde vai Shang-Chi 2?
O roteiro da sequência está pronto desde 2022, mas fontes próximas ao diretor Destin Daniel Cretton apontam que o projeto segue “em pausa técnica” até que Avengers: Doomsday defina seus pilares. Se o personagem não aparecer no material promocional dos próximos seis meses, cresce o risco de adiamento para depois de 2030 — janela que pode coincidir com a aposta mais ousada do estúdio, o Surfista Prateado em nova versão feminina.
A curto prazo, o debate instaurado por Liu pode obrigar a Marvel a rever a lista ou, pelo menos, a liberar uma vinheta conectando os Dez Anéis ao enredo de Doomsday. Se isso acontecer, a única palavra do ator terá aberto espaço não só para seu personagem, mas para uma discussão sobre quem realmente dita as prioridades na fase de reconstrução do MCU.

