A Bandai acaba de colocar gasolina no saudosismo de Dragon Ball Z: um set duplo da linha S.H.Figuarts recria, peça por peça, o confronto de Goku contra Freeza no planeta Namek prestes a explodir. A pré-venda, liberada nesta quarta-feira (15), já derrubou servidores de lojas japonesas e esgotou o primeiro lote em menos de 18 minutos.
Além de dois corpos totalmente redesenhados, o pacote inclui base rachada, placas de lava translúcida e seis efeitos de energia que se encaixam em qualquer ângulo, transformando a estante em campo de batalha. Quem perdeu a luta original na TV aberta nos anos 2000 talvez não note, mas o kit traz detalhes inéditos — como a bota rasgada de Goku e as veias saltadas no braço amputado de Freeza — que até então só existiam nos quadros do mangá.
Diorama de bolso eleva o padrão técnico da S.H.Figuarts
Até aqui, a estratégia da Bandai para Dragon Ball consistia em lançar figuras isoladas, forçando o colecionador a improvisar cenários. O novo set quebra essa lógica: ele foi projetado como um micro-diorama modular, com superfície magnética que segura as peças de lava e permite girar personagens em 360 °. É o mesmo tipo de engenharia que a Tamashii Nations testou em linhas premium de Initial D, mas agora adaptado para o bolso do fã de anime.
Goku chega com 38 pontos de articulação encobertos, costura interna nas mangas rasgadas e seis rostos intercambiáveis, incluindo o sorriso de desdém que provoca Freeza segundos antes do Kamehameha final. Já o vilão ganhou nova pintura perolada para simular a pele queimada pelo Ki e cauda destacável com junta dupla — algo impossível na versão de 2018. A Bandai ainda adicionou cápsulas de energia verdes que explodem por pressão, imitando a instabilidade de Namek.
- Altura: 15 cm (Goku) e 14 cm (Freeza)
- Preço oficial no Japão: 12.100 ienes (cerca de R$ 410)
- Envio previsto: março de 2025
Nostalgia premium vira munição para revendedores — e a Bandai reage
A empresa sabe que a linha Dragon Ball alimenta o mercado paralelo: só em 2023, segundo dados de leilões japoneses, 41 % dos lotes de S.H.Figuarts foram revendidos por até 120 % acima do preço de capa. Para tentar estancar o ágio, a Bandai limitou duas unidades por CPF no Japão e prometeu um segundo lote global em setembro — o que não deve impedir um sprint de especuladores, mas dificulta monopólios regionais.
O movimento também dialoga com a guinada nostálgica que vem varrendo os colecionáveis de anime. Se a Seiko colocou o RX-7 amarelo de Keisuke no pulso dos fãs de carros e a Toei já anunciou Sailor Moon em traço clássico para 2027, Dragon Ball responde com seu momento mais cultuado: o instante em que Goku, ainda nos trinta e poucos anos (como mostramos na análise sobre a idade real do herói), decide poupar Freeza e é traído segundos depois.
A aposta de longo prazo
Nos bastidores, distribuidores latino-americanos ouvidos pelo portal confirmam que a Tamashii planeja mais três dioramas “capítulo a capítulo”. O próximo, previsto para 2026, deve cobrir o início da saga dos Androides, começando por Trunks e Mecha Freeza. Ao transformar cada arco em set fechado, a marca cria uma assinatura de coleção que obriga o fã a acompanhar todos os lançamentos — e garante fila de espera permanente na pré-venda.
Com o planeta Namek em miniatura prestes a explodir nas prateleiras, a Bandai não está apenas vendendo plástico articulado: está vendendo direito de reviver, em looping controlado, o instante preciso em que Dragon Ball Z virou fenômeno global. E cobrar ingresso por isso nunca foi tão lucrativo.
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