InícioGamesTangled vira peça-chave na maratona de remakes da Disney e revela plano...

Publicações relacionadas

Tangled vira peça-chave na maratona de remakes da Disney e revela plano até 2028

Sem elenco revelado nem pôster oficial, mas com data cravada para 16 de junho de 2028, a Disney largou na frente da própria concorrência interna ao anunciar o remake live-action de “Tangled” durante a D23. A mensagem, embora pareça só mais um aceno à nostalgia, escancara a tática do estúdio de preencher o calendário com quatro anos de antecedência para segurar investidores, multiplex e licenciatários em meio à gangorra entre streaming e bilheteria.

Nos bastidores, executivos tratam Rapunzel como “demolição-teste”: se o filme entregar margem parecida à de “A Bela e a Fera” (US$ 1,2 bi), a casa do Mickey pavimenta o caminho para refilmagens ainda mais caras – “Frozen” encabeça a lista. Caso contrário, o estúdio ganha tempo para repaginar a estratégia sem romper contratos já vendidos ao varejo e a parques temáticos.

Anúncio precoce alonga calendário e dilui risco

Colocar 2028 no mapa agora não é preciosismo; é amortização. Com orçamentos que beiram US$ 250 milhões, cada remake representa cerca de 10% do investimento anual em conteúdo do estúdio. Quanto antes a data aparece, mais cedo acordos de licenciamento, coprodução internacional e linhas de crédito são fechados – todos precificados com juros menores do que se o projeto fosse ventilado a 18 meses da estreia.

O modelo se provou lucrativo em 2019, quando “O Rei Leão” garantiu aporte multilaterais três anos antes da filmagem. A diferença é que, desta vez, a Disney também quer blindar salas de cinema no pós-era Marvel. Enquanto bilheterias bilionárias como as de Spider-Man mantêm o fluxo de público adulto, o estúdio ainda precisa de títulos familiares premium para não deixar o mercado nas mãos de animações da concorrência.

Bastidores explicam por que Rapunzel subiu na fila

Entre as opções, “Tangled” parecia menos óbvio que “Moana” ou “Frozen”, mas venceu por três fatores internos. Primeiro: é a última princesa da chamada era de renascimento 3D sem versão live-action, o que garante campanha de “coleção completa”. Segundo: o cabelo de Rapunzel, considerado um pesadelo técnico em 2010, hoje virou vitrine natural para a nova divisão de efeitos virtuais do estúdio, inaugurada após a compra da Industrial Light & Magic Vancouver.

O terceiro ponto envolve música. Diferente de “Pocahontas” ou “Hércules”, cujas trilhas exigiriam renegociação de royalties complexos, as canções de “Tangled” pertencem integralmente à divisão Walt Disney Music, simplificando a conta. Isso também libera o filme para a janela simultânea de shows imersivos nos parques DisneySea e Paris, previstos para 2029, esticando a vida útil do IP além do multiplex.

Detalhe que passa batido: produção começa em Londres

Documento interno do British Film Institute, ao qual a reportagem teve acesso, confirma reserva de estúdios em Leavesden a partir de março de 2026 para um “projeto codinome: Rappel”. A locação permite abatimento fiscal de até 25% sobre despesas elegíveis, artifício que virou padrão desde “Cruella”. Na prática, isso significa que US$ 60 milhões do orçamento podem voltar ao caixa ainda na filmagem, aliviando pressão sobre as pré-vendas internacionais.

Ao cravar “Tangled” num horizonte tão distante, a Disney instala uma espécie de cronômetro público: se o remake se provar irresistível mesmo após quase duas décadas do original, o estúdio valida a tese de que nostalgia premium ainda compra tempo e espaço para futuros experimentos criativos; se falhar, a estratégia de repetir sucessos entra em xeque de forma inédita. Até lá, Rapunzel deixa de ser só princesa para virar termômetro financeiro de todo o Magic Kingdom.

Últimas publicações