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Arte vazada mostra Tombstone digno de filme de terror e revela disputa de tom em Spider-Man: Brand New Day

Uma sequência de concept arts inéditas, liberadas por um dos ilustradores contratados pela Sony, acaba de expor que Tombstone quase virou a figura mais perturbadora já vista em um filme do Homem-Aranha. A versão preliminar de Marvin Jones III trazia dentes lixados até a gengiva, veias negras pulsando na pele albina e um maxilar protético que lembrava presas de tubarão — material pesado para a faixa etária do público-alvo.

O detalhe não é só estético: a guinada para um design bem mais “assassino serial” foi abortada a três meses do início das filmagens de Brand New Day e escancara a queda de braço interna entre produtores que queriam um longa PG-13 vigoroso e executivos assustados com a possibilidade de classificação +16, justo quando o estúdio tenta alinhar seu Aranhaverso ao tom mais familiar do MCU.

Projeto original flertava com body horror e rivalizava com Venom

Nos rascunhos, Tombstone surge coberto por cicatrizes de autópsia e piercings improvisados com lâminas de barbear. O ilustrador descreve, em anotações internas, que a intenção era “dar ao vilão um ar de cadáver ambulante, como se a albinose fosse apenas a primeira mutação visível”. Havia ainda esboços de cenas em que o gângster testaria a própria invulnerabilidade batendo a cabeça contra azulejos de banheiro, espalhando estilhaços de porcelana — sequência que acabou substituída por um simples confronto no porto.

A comparação inevitável era com o Venom de 2018: vilão grotesco, mas ainda carismático. O problema é que, segundo pessoas envolvidas na pós-produção, os primeiros storyboards receberam nota “inadequado” no termômetro interno de impacto em crianças de 10 a 13 anos. Daí nasceu a versão final, mais próxima do mafioso elegante das HQs, onde apenas cicatrizes discretas e lentes leitosas sugerem a condição sobre-humana.

Suavização reforça pacto Sony-Marvel para manter porta aberta ao MCU

A escolha de “domar” Tombstone não ocorreu isoladamente. A mesma leva de ajustes cortou a aparição direta de Charlie Cox como Demolidor, hoje confirmada por uma foto de bastidores recém-divulgada. Ao remover o vigilante cego — outro personagem propenso a cenas violentas — o longa evitou a tentação de escalar o conflito urbano para além do que Kevin Feige considera “palatável” na cronologia principal.

Ganha força, portanto, a tese de que Brand New Day cumpre dupla função: celebrar a volta do Homem-Aranha após o multiverso de No Way Home e servir de passarela segura para cruzamentos futuros com Ms. Marvel ou até Jean Grey, ambos já acenados em anúncios recentes da Marvel. Tombstone aterrorizante poderia empurrar a franquia para uma classificação mais rígida, jogar fora merchandising infantil e comprometer participações especiais que dependem de amplo alcance global — os chamados “event movies” do calendário Disney.

O que esperar dos próximos vilões do Aranhaverso

A amputação do horror corporal não significa que Sony desistiu de vilões sombrios. Executivos mantêm em pauta projetos solo de Kraven e de um Sexteto Sinistro, mas a arte vazada indica que a régua será o equilíbrio: ameaçador o bastante para diferenciar do MCU, jamais grotesco a ponto de fechar as portas do PG-13. Caso Venom 3 receba o carimbo +16, Tombstone pode ganhar reforço digital em um eventual corte estendido; porém, enquanto Brand New Day for tratado como peça-chave da cronologia conjunta, a cartilha do “terror controlado” deve prevalecer.

No fim, a versão asséptica que chegou às telas talvez agrade aos pais, mas a imagem de um Tombstone de dentes serrados continua rondando os corredores do estúdio — lembrando que, no multiverso do marketing, o medo não vem só dos monstros, e sim da classificação indicativa que decide quanto cada filme arrecada.

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