Foram apenas 36 horas: nesse intervalo, o jogo de terror “Scare Them Out” saltou de 20 mil para mais de 260 mil usuários simultâneos no Roblox, atropelando títulos de estúdios profissionais e tomando de assalto o feed de lives no TikTok. O motor desse susto não foi atualização de mapa nem collab com influenciador gigante, mas uma rajada de 12 novos códigos liberados em sequência pelos próprios desenvolvedores.
O expediente não é inédito — e exatamente por isso acendeu um alerta na plataforma. Depois de casos como “My Grass Farm” e “Make a Party”, que também recorreram a cupons em massa para turbinar a audiência, “Scare Them Out” inaugura a temporada pré-Halloween com um teste de estresse inédito: até que ponto o algoritmo do Roblox separa popularidade orgânica de explosões artificiais de retenção?
Tempestade de códigos empurra o horror ao topo em ritmo recorde
Segundo dados extraídos do próprio painel DevStats do Roblox, seis dos 12 cupons geraram picos de mais de 40 mil resgates cada um — número suficiente para colocar o jogo entre os dez mais jogados no momento de cada liberação. Em média, usuários permaneceram logados 18 minutos além do habitual para testar os itens ganhos, sobretudo a “Lanterna Maldita”, que aumenta o alcance de susto e rende moedas premium.
Enquanto isso, a monetização disparou. Desenvolvedores informam, em canal oficial no Discord, crescimento de 320 % na venda de loot boxes que só podem ser abertas com as mesmas moedas distribuídas pelos códigos. Para analistas da comunidade, a equação virou moeda corrente: distribui-se recompensa barata em recursos e se recupera a despesa vendendo chaves, cosméticos e boosts de XP.
O movimento reforça a corrida que já havia sido notada em “My Grass Farm” e, mais recentemente, em “Make a Party”. A diferença é o calendário: às vésperas de outubro, o tema de terror de “Scare Them Out” amplia a taxa de cliques em anúncios externos, atraindo criadores de conteúdo dispostos a farmar audiência com sustos fáceis.
Pressão por retenção leva a Roblox a rever algoritmo e moderação
Fontes ligadas ao programa Roblox Video Stars afirmam que, após o boom de “Scare Them Out”, a plataforma recolheu amostras de tráfego em 25 servidores para mapear contas que resgataram mais de 50 % dos códigos em menos de duas horas — um sinal de uso de alts e bots para inflar a base ativa. O relatório, previsto para sair até o fim do mês, deve orientar um ajuste no peso que resgates de códigos têm no ranking em tempo real.
A equipe de trust & safety também discute impor um limite dinâmico de cupons diários por jogo. A proposta, ainda embrionária, esbarra na resistência de estúdios independentes, que veem na tática de códigos a chance de rivalizar com gigantes que pagam campanhas robustas. Por enquanto, o cenário é de vácuo regulatório: quem distribui mais, sobe mais rápido — mesmo que a conta venha depois em forma de economia desbalanceada e fuga de jogadores veteranos.
O detalhe quase invisível: bots de susto em cadeia
Um fenômeno pouco comentado é o “susto em cadeia”: scripts que simulam dez, vinte ou cem contas entrando no servidor, ativando o cupom e saindo em até 90 segundos, apenas para gerar notificações globais de “Fulano ganhou a Lanterna Maldita”. O disparo constante desses alertas convence usuários reais de que há algo imperdível acontecendo, elevando a taxa de cliques em 27 %, conforme planilha vazada em grupo de desenvolvedores.
Com Halloween batendo à porta e a monetização de picos momentâneos valendo ouro, a Roblox corre contra o relógio para não transformar susto em estatística fantasma. Se “Scare Them Out” for o laboratório que acelera essa mudança, os próximos códigos podem vir com prazo de validade — e o ranking, enfim, testará nervos mais fortes que gritos fáceis.

