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Antes mesmo de estrear, “Brand New Day” supera recorde de favoritos no Disney+ e acirra disputa interna da Marvel

Nem um frame foi exibido ao público, mas Spider-Man: Brand New Day já derrubou um gigante dentro de casa: em 36 horas, o título acumulou 2,8 milhões de “favoritar” no Disney+, superando o topo que pertencia a Avengers: Doomsday. A marca coloca o filme do Homem-Aranha como o conteúdo mais aguardado da plataforma desde o lançamento do botão de pré-adição ao catálogo, em 2022.

O salto impressiona menos pelo número bruto e mais pelo timing: a façanha ocorre quando a Marvel tenta provar que a “fadiga de super-heróis” é assunto resolvido, enquanto lida com reclamações de uso de arte gerada por IA no livro oficial do longa. Ou seja, o recorde vira vitrine e escudo ao mesmo tempo, mas estica a corda entre hype e rejeição.

Nova métrica, novo campo de batalha

Desde que o Disney+ passou a exibir contadores públicos de “Adicionar à Lista”, o dado virou a moeda mais observada por investidores — é ele que antecipa churn, serve de argumento para renegociar contratos de licenciamento e movimenta a publicidade programática. Com 2,8 milhões de cliques, Brand New Day entrega à Disney uma vitrine que Netflix e Prime Video ainda não têm: interesse comprovado antes do play.

Por dentro da companhia, executivos enxergam a métrica como um “tracking de bilheteria digital”. Internamente, o filme recebeu a mesma classificação de prioridade que blockbusters em cartaz físico, o que abre espaço para campanhas cruzadas e push-notifications globais a partir de 00h01 do dia da estreia, prática antes restrita a Star Wars.

Como o algoritmo empurrou Peter Parker ao topo

Não foi só paixão por teias que alavancou o recorde. A Marvel ativou uma sequência de gatilhos: liberou skins exclusivas em Fortnite, sincronizou trailers segmentados no TikTok e injetou cenas extras na apresentação de investidores do quarto trimestre. Cada ação disparava o mesmo QR Code que levava direto ao botão “Favoritar”.

No back-office, desenvolvedores adotaram o modelo “Watch Window”, que flutua a página do filme para usuários que permanecerem mais de 18 segundos em qualquer título da marca. Na prática, Brand New Day ganhou exposição 34% maior que Doomsday teve em março, segundo analistas que acompanham a API pública do Disney+.

Recorde vem acompanhado de ruído ético

Enquanto o time de marketing comemora, a área de relações públicas apaga incêndio: fãs acusam o estúdio de usar inteligência artificial para gerar ilustrações de Nova York no artbook oficial do filme. A polêmica reacende o debate que já havia rondado outros projetos do estúdio, como Avengers: Doomsday, forçando a empresa a confirmar uma auditoria interna sobre práticas de IA.

Curiosamente, o buzz negativo não freou o clique no coraçãozinho do Disney+. Analistas explicam que o “cancelamento de sofá” tem impacto diferente do boicote de bilheteria: como não exige desembolso imediato, o usuário sinaliza interesse mesmo enquanto critica o estúdio nas redes. Para a Marvel, o paradoxo é claro — o algoritmo não distingue amor de ódio, só mede atenção.

Com estreia marcada para o fim de abril, Spider-Man: Brand New Day já mostrou que o endgame da disputa entre plataformas passa por algo mais simples que universos paralelos: a guerra agora é pelo clique que acontece antes do play. Resta saber se, quando o filme finalmente aparecer na tela, o recorde de favoritos se converterá em horas assistidas — métrica que, por enquanto, segue trancada no cofre da Disney.

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