A DC anunciou que a formação vista em “O Esquadrão Suicida”, de 2021, ganhará uma minissérie própria ainda neste semestre. A capa divulgada traz Bloodsport, Pacificador, Tubarão-Rei e Caça-Ratos 2 prontos para mais uma missão – mas a pupila de coringa nenhum, Harley Quinn, simplesmente sumiu do cartaz.
A lacuna da personagem mais popular do time acendeu um alerta em varejistas e fãs: por que retirar exatamente quem garante vendas fáceis? A resposta passa por contrato de cinema, cronograma de streaming e, principalmente, pela cartada inédita de James Gunn de sincronizar as páginas dos quadrinhos com o próximo ciclo do DCU nos cinemas.
A ausência de Harley expõe a nova engenharia de lançamento da DC
Harley Quinn está escalada para dois conteúdos simultâneos: a quinta temporada de sua animação na Max e a participação pontual em “Batman: The Brave and the Bold”, projeto que o estúdio ainda mantém em sigilo. Se a personagem aparecesse também na minissérie do Esquadrão, haveria canibalização de marketing num período em que a DC precisa mostrar organização depois do caos pré-fusão com a Paramount, que, segundo bastidores, travou a permanência de Gunn no comando criativo.
Ao retirar Harley, a editora cria dois efeitos. Primeiro, evita saturar a imagem da personagem antes da virada de fase planejada por Gunn, que quer “guardar munição” para o cinema. Segundo, empurra holofotes para Bloodsport e Caça-Ratos 2, ambos contratados para o live-action “Checkmate”, filme de espionagem que o estúdio pretende anunciar na Comic-Con de San Diego. Fontes internas relatam que Idris Elba já discute agenda com a DC para voltar ao papel de Bloodsport, o que reforça o afunilamento narrativo.
Quadrinhos viram laboratório de roteiro rápido para o próximo DCU
Desde que assumiu a chefia da DC Studios, Gunn prometeu que cada história publicada “precisará justificar seu lugar”. Essa prática iniciou em “Lanterns”, cujo pôster escondia um mapa de crise alienígena – detalhe destrinchado em análise exclusiva. A nova minissérie do Esquadrão repete a jogada: apresenta uma missão contra o planeta senciente introduzido semanas atrás como o “Ego” da DC, ameaça que, nos filmes, dará liga aos eventos cósmicos de “Superman: Legacy”.
Nos bastidores, roteiristas ganharam uma ordem direta: entregar as seis edições antes de agosto para que o material alimente o segundo tratamento do roteiro de “Legião do Mal”, filme que ganhou sinal verde após Gunn completar o quinteto de vilões. Com isso, o quadrinho deixa de ser um produto derivado e vira incubadora oficial de ideias – modelo parecido com o que Kevin Feige adotou na Marvel, mas agora executado em tempo real, quase como sala de roteiro pública.
O detalhe que quase passou batido
Na arte de divulgação, o capacete do Pacificador está riscado com dois traços vermelhos. No material bruto recebido por lojistas, os traços não existiam. A mudança foi ordenada pelo próprio Gunn três horas antes do arquivo final ser enviado, para insinuar que o personagem já encontrou o novo Coringa do DCU – revelado dias atrás em imagens de bastidor – e saiu sangrando. É um easter egg, mas também um aviso: os quadrinhos vão antecipar confrontos antes mesmo dos trailers.
Se a estratégia der certo, o resultado prático será uma audiência condicionada a procurar pistas na banca para entender o que chegará às telas. E, ao menos por enquanto, Gunn parece disposto a arriscar o sucesso de vendas imediato de Harley Quinn para testar até onde essa sincronia pode ir. A aposta é alta; o retorno, potencialmente maior.

