InícioMarvelX-Men ’97 encerra fase nostálgica e prepara mutação para o MCU pós-Kang

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X-Men ’97 encerra fase nostálgica e prepara mutação para o MCU pós-Kang

O revival que devolveu a trilha de guitarras e o uniforme amarelo de Wolverine à tela já tem data para mudar de pele. X-Men ’97, fenômeno instantâneo no Disney+, trocará de comando criativo depois da segunda temporada, encerrando o resgate fiel à animação dos anos 90 que pautou o projeto desde o início.

Nos bastidores, a decisão é vista como a última peça de uma estratégia maior: usar os dois primeiros anos como “ponte emocional” para, a partir de 2026, alinhar os mutantes animados ao plano vivo de Kevin Feige, que inclui Avengers vs X-Men e a volta de Ultron. A manobra promete esquentar uma disputa antiga dentro da Marvel Television — manter a nostalgia ou sincronizar tudo com o MCU.

Mudança de comando encerra a era Beau DeMayo

Embora afastado dias antes da estreia, Beau DeMayo deixou roteiros prontos para duas temporadas. Segundo equipes internas, a sala de escritores será remontada do zero em julho, sem nomes ligados ao showrunner original. O efeito prático é o fim do contrato que garantia liberdade para brincar com a cronologia exclusiva da série, onde personagens mortos em filmes ou HQs ganhavam sobrevida sem prestar contas ao restante da franquia.

A guinada acontece no momento em que X-Men ’97 atinge métricas que o departamento de animação não via desde What If…?: picos semanais de 3,2 milhões de contas únicas e vendas recordes de camisetas vintage. Para executivos, a prova de que a nostalgia cumpriu seu papel: reaquecer a base de fãs, testar novas gerações e pavimentar um salto de integração — premissa agora transferida a um time com experiência em crossover, incluindo roteiristas que colaboraram nos reshoots de Avengers: Doomsday.

Integração com o MCU redefine poder e visual dos mutantes

A principal diretriz para a terceira temporada é simples: nenhuma versão animada poderá contradizer eventos que serão mostrados em live-action. Isso significa rever designs, origens e até dubladores, para que a voz que o público escuta no streaming seja a mesma que ouvirá no cinema. A integração também acende o sinal vermelho para personagens que o revival usou sem restrição — Magneto e Tempestade, por exemplo, estão cotados para participações em Thunderbolts e no próximo filme do Homem de Ferro. A sobreposição forçará cortes ou reescritas nos roteiros já rascunhados.

Outro impacto será no tom. As duas primeiras temporadas exploram política mutante à moda antiga, com vilões clássicos e metáforas sobre preconceito. O novo núcleo quer deslocar a narrativa para consequências cósmicas e realidades paralelas, abrindo espaço a peças-chave do MCU pós-Kang, como a quarta forma de Ultron — aposta detalhada no artigo Por que a 4ª forma de Ultron é a cartada da Marvel para virar o jogo pós-Kang.

Um contrato de brinquedos antecipa a guinada

O indício mais claro de que a era nostálgica expirou não veio de roteiristas, mas de fornecedores. Em fevereiro, a Hasbro circulou entre varejistas um caderno de produtos 2026-2027 rotulado “MCU Animated”. Nele, só aparecem versões de Ciclope e Jean Grey com estética próxima à de Sadie Sink e ao novo traje do Demolidor, sem o logotipo clássico de X-Men ’97. Quando questionada, a empresa confirmou que os modelos seguem orientação do “próximo ciclo transmídia” da Marvel.

Esse detalhe financeiro fecha o quebra-cabeça: ao alinhar bonecos, jogos e streaming, a Disney cria sinergia de receita que a fase nostálgica não podia oferecer — faltava a contrapartida cinematográfica. O fim da era X-Men ’97, portanto, não é mero gesto criativo; é passo calculado na ofensiva da companhia para reduzir custos de licenciamento, encurtar janelas e preparar o terreno para o inevitável confronto Vingadores vs Mutantes nas telonas.

Para o público, fica a contagem regressiva. Ainda restam vinte episódios sob o DNA original; depois disso, os X-Men que ajudaram a popularizar a palavra “mutante” nos anos 90 estarão, pela primeira vez, totalmente submetidos ao cronograma do MCU. Quem curte nostalgia corre contra o relógio — a mutação, desta vez, é contratual.

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