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Jogo de Gundam estreia em 5 de março no PS5 e expõe a virada da Sony rumo aos animes

Sem esperar a temporada de blockbusters de outono, a Bandai Namco cravou 5 de março como data de lançamento para o novo game de ação de Gundam — exclusivo de início para PlayStation 5. O trailer liberado nesta quinta (10) não só confirmou a janela ousada, como revelou que o título inaugura uma linha do tempo inédita, paralela a um anime que também estreia em 2024.

Na prática, o calendário enxuto coloca a franquia de mechas mais longeva do Japão no centro de uma estratégia maior da Sony, que já reservou 2027 para um novo Dragon Ball. O recado é claro: enquanto os estúdios ocidentais adiam lançamentos para o fim da geração, o PlayStation tenta dominar o intervalo entre fevereiro e abril com propriedades de anime que falam direto à comunidade otaku.

Janela de março garante holofote entre gigantes ocidentais

Tradicionalmente, o chamado “Q1” do calendário fiscal — janeiro a março — é tratado como entressafra pelos estúdios AAA. Em 2024, a exceção mais ruidosa será Final Fantasy VII Rebirth, fechado para fevereiro. Ao empurrar Gundam para 5 de março, a Sony se certifica de que o jogo ocupará uma prateleira quase vazia, escapando tanto da concorrência com destinos óbvios de fevereiro quanto do rolo compressor de maio e junho, quando chegam shooters e esportes.

O movimento repete a lógica aplicada a Gran Turismo 7 em 2022: vender hardware num mês retraído em que as opções premium são escassas. Executivos ouvidos nos bastidores da Tokyo Game Show apontam que a projeção interna é de atrair o público que migrou para o PC nos últimos dois anos e ainda não voltou — estratégia reforçada pelo cross-progression prometido, mas sem data no Steam.

Outro ponto: lançar em março dá fôlego a kits de marketing casados com o ano fiscal japonês. As réplicas de gunpla (model kits) exclusivas para quem adquirir o game na pré-venda já estão em produção e chegam às lojas na mesma semana, algo impensável se o jogo caísse no gargalo de fim de ano.

Novo cânone busca zerar a curva de entrada de 44 anos de cronologias

Desde 1979, Gundam acumulou tramas paralelas suficientes para confundir qualquer novato. A Sunrise, agora sob o guarda-chuva da Bandai Namco Filmworks, decidiu que tanto o jogo quanto o anime associado funcionarão como “ponto zero”: nada de herdar personagens clássicos ou siglas obscuras de facções anteriores. O foco é um único conflito espacial em que o jogador habita o cockpit do seu Mobile Suit em primeira e terceira pessoa, alternando missões solo e batalhas cooperativas de até seis pilotos.

É uma guinada que contrasta com o caso de Jujutsu Kaisen, onde a MAPPA decide seguir o mangá fielmente. Aqui, a Bandai mostra que reduzir a bagagem histórica pode ser mais lucrativo que servir só aos veteranos. O objetivo confessado em reuniões com varejistas é simples: permitir que alguém que só viu “Witch from Mercury” descubra o universo maior de Gundam sem ter de maratonar quatro décadas de versões.

Detalhe que passa batido: o roteiro do jogo foi escrito antes mesmo de o anime finalizar seu terceiro episódio. Isso inverte a cadeia de produção tradicional, em que o game costuma ser derivado de temporadas já testadas em audiência. A escolha elimina inconsistências narrativas — e cria margem para DLCs que acompanhem, em tempo real, a exibição da série.

No curto prazo, quem vence é o fã que trocava de console a cada capítulo do multiverso. No médio, a Sony assegura um estandarte próprio — diferente de parcerias pontuais da Microsoft com Armored Core VI. Resta saber se a aposta de esperar menos hype e mais calendário continuará em 2025, quando outros estúdios miram o mesmo espaço da “entressafra otaku”.

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