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Fim do acordo Netflix-Sony trava “Homem-Aranha 5” e expõe disputa de bastidor

Tom Holland já topou voltar, o rascunho de roteiro circula nos corredores da Marvel, mas “Homem-Aranha 5” esbarrou num ponto que nenhum vilão enfrentou: a falta de destino garantido para o filme depois da tela de cinema. Foi o próprio chefão da Sony Pictures Motion Group, Sanford Panitch, quem admitiu que o projeto só ganha sinal verde quando houver clareza sobre onde — e por quanto — o longa vai morar no streaming.

A revelação soa técnica, mas mexe com todo o tabuleiro: o megadeal que colocou Brand New Day na Netflix acaba neste semestre, cortando a rota automática de estreia do cabeça-de-teia no serviço. Sem um novo acordo de janela “Pay 1”, a Sony perde previsibilidade de receita e a Disney não sabe como encaixar o herói em seu cronograma do Disney+. No mundo bilionário dos Vingadores, contrato vem antes do uniforme.

Um impasse de distribuição que vale mais que o orçamento do filme

Na prática, o que trava a produção é o mesmo ponto que manteve “Sem Volta Para Casa” no topo da bilheteria: porcentagem de exibição pós-cinema. Segundo fontes próximas às negociações, a Sony quer manter autonomia e busca plataforma aberta a pacotes de licenciamento global, enquanto a Marvel pressiona para que o longa desembarque no ecossistema Disney, onde já planeja cruzar o Amigão da Vizinhança com o futuro arco de “Avengers: Doomsday”.

O problema é que o cenário mudou desde 2021. A inflação de assinaturas fez streamings fecharem o cofre, e ofertas multibilionárias como a da Netflix — que levou todos os títulos do herói até “Brand New Day” — viraram raridade. Sem esse cheque antecipado, a Sony não tem como amortizar os cerca de US$ 250 milhões de orçamento antes mesmo da estreia, modelo que garantiu lucro a cada filme de Holland.

Tempo corre contra o MCU e contra Tom Holland

Do lado criativo, Kevin Feige já sinalizou que o roteiro conecta Peter Parker aos eventos cósmicos que culminarão em “Secret Wars”. Quanto mais o projeto atrasa, mais o Marvel Studios precisa redesenhar suas peças — especialmente agora que o Motoqueiro Fantasma foi escalado e empurrou a estreia dos Midnight Sons para 2026, como revelamos em reportagem anterior. Adiar o filme significa refazer raster de participações e linhas de diálogo que já cruzavam cenas dos Vingadores da Costa Oeste.

Para Holland, o relógio também é real: seu contrato atual garante bônus progressivos a cada ano sem filmagens, cláusula pensada para forçar o estúdio a manter o ritmo. Se “Homem-Aranha 5” escorregar para depois de 2027, o valor extra comerá parte da margem de lucro reservada para executivos e investidores — exatamente quem está sentado à mesa na renegociação de streaming.

O que pode destravar a teia: três cartas na manga da Sony

Executivos ouvidos pela coluna apontam três caminhos sobre a mesa:

  • Leilão de janela global. A Sony cogita repetir o modelo de “007 – Sem Tempo Para Morrer” e vender o Pay 1 filme a filme. É a via mais lucrativa, mas exige alinhamento fino com a Marvel para evitar buraco de cronologia nas séries do Disney+.
  • Pacote híbrido com a Disney. Parte do catálogo iria direto ao Disney+ e parte permaneceria em licenciamento aberto. A Casa do Mickey topa — contanto que o Aranha seja exclusivo. O impasse está no preço.
  • Lançamento Premium VOD próprio. Plano radical: abrir selo digital da própria Sony para estreias pagas em 45 dias. Mercado considera arriscado, porém daria independência total à franquia.

A decisão precisa acontecer até o fim do ano fiscal, em março de 2025; depois disso, a Marvel congela o personagem em seus roteiros para não travar o restante da Fase 7. Enquanto isso, cada avanço de pré-produção — escolha de vilão, reserva de estúdio, alinhamento de dublês — depende de uma planilha que ninguém consegue preencher: para onde o herói vai depois dos créditos finais.

O mercado de entretenimento aprendeu que o Homem-Aranha consegue enfrentar alienígenas, magos e até versões alternativas de si mesmo. O obstáculo agora é menos espetacular, mas decide o futuro da maior bilheteria solo do MCU: uma assinatura digital que ainda não tem dono.

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