A cena-pós-créditos de “Avengers: Doomsday” ainda nem foi filmada, mas o martelo já caiu nos bastidores: o futuro “gênio, bilionário, playboy, filantropo” do Universo Marvel atende agora pelo nome de Nathaniel Richards, o Iron Lad. A decisão — confirmada por fontes ligadas ao elenco de apoio da Fase 7 — encerra quatro anos de tentativas tímidas de preencher o vácuo deixado por Tony Stark e aponta para um MCU conduzido pelo pensamento de palco jovem, não pela nostalgia dos Vingadores originais.
Mais do que substituir uma armadura, a chegada de Iron Lad revela a manobra da Marvel para se livrar de dois fantasmas: o de Kang, atolado em controvérsias judiciais, e o da “era do hype vazio” que culminou no anúncio inflado de projetos multiversais. Ao apostar num Stark 2.0 que também é um Richards, o estúdio cola dois universos narrativos e, de quebra, prepara terreno para o iminente coroamento de Robert Downey Jr. como Doutor Destino, ventilado no pôster de “Avengers: Doomsday” que virou o MCU do avesso.
Escolha resolve três crises de uma vez
Dentro dos corredores da Disney, o codinome “Lanny” circulava em audições há um mês, mas só nesta semana executivos confirmaram que se tratava de Iron Lad — e não de mais um sidekick descartável. O personagem junta três pontas soltas que vinham incomodando Kevin Feige:
- Sensação de órfãos: nem a participação de Riri Williams em “Pantera Negra: Wakanda Para Sempre” conseguiu reproduzir o carisma industrial de Stark. O estúdio precisava de alguém que falasse a mesma língua (e tivesse o mesmo limite de crédito ilimitado).
- Saída de emergência para Kang: porque Iron Lad é, nos quadrinhos, uma variante juvenil de Nathaniel Richards, a Marvel ganha a chance de reformatar o vilão sem a bagagem do ator envolvido em controvérsias, substituindo ameaça por potencial.
- Ponte geracional: ao ligar Iron Lad aos Young Avengers, a franquia injeta novidade antes de desgastar ainda mais nomes como Capitão América e Thor, que já sofrem com sinais de cansaço em bilheteria.
O encaixe traz alívio de caixa. Conforme projeções internas, personagens jovens tendem a renovar linhas de brinquedos por ciclos de até seis anos — o dobro do tempo médio de um herói veterano. É também uma cartada que converge com o recente merchandising de “Avengers: Doomsday” que isola Capitão América e Bucky em lados opostos, preparando a torcida para um cisma geracional.
Por que agora: lição aprendida com o fiasco do multiverso
O anúncio de Iron Lad escapa do radar casual porque acontece no exato momento em que a Marvel reavalia a própria ambição. Depois de inflar as expectativas com realidades paralelas — e tropeçar, como mostra o trailer de “Avengers: Doomsday” que sugere a morte da Tocha Humana — o estúdio decidiu encolher a resposta a “Lanterns” da DC e investir em tramas mais contidas. Um herói adolescente que constrói armaduras no quarto se encaixa nessa fase de cautela, como revelou recente relatório de riscos aos acionistas.
A jogada também serve de teste para a nova política de janelas premium: 70% das pré-vendas de “Avengers: Doomsday” já vêm de salas de áudio imersivo e assentos reclináveis. Um Stark novato, mais colorido e com design de capacete luminoso, cai como luva nesse modelo de exibição, onde cada detalhe faz diferença no ingresso mais caro.
Detalhe que quase passa despercebido: o DNA Richards abre porta para Destino
Enquanto o público olha para a armadura cromada de Iron Lad, a Marvel planta outra semente. Richards é sobrenome que acende alerta em qualquer fã: ele liga diretamente à linhagem de Reed Richards e, por tabela, a Victor Von Doom. Nas convenções, Robert Downey Jr. chegou a soltar frase-chave que acendeu suspeita de virada de Doutor Estranho em “Avengers: Doomsday”, mas nos bastidores a conversa é outra: Downey negocia interpretar Destino numa tomada épica de “Guerras Secretas”. Ao colocar um “Richards” juvenil no centro, o estúdio pavimenta a transição do próprio símbolo de sua era inicial para o maior antagonista possível.
Se a manobra der certo, o MCU terá convertido a dor da perda de Tony Stark em combustível para sua próxima era dourada. E, desta vez, não haverá multiverso que distraia da batalha principal: o legado de Stark contra o intelecto sombrio de Destino, com Iron Lad como peão (ou talvez rei) no novo tabuleiro.

