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Cena inédita de Black Widow em Brand New Day reabre disputa de cronologia entre Marvel e Sony

Três anos depois de cair no abismo de Vormir, Natasha Romanoff ressurgiu — e não foi em tela grande. A Marvel e a Sony publicaram nesta madrugada a íntegra da participação da heroína em “Spider-Man: Brand New Day”, projeto ainda sem data de estreia. O vídeo, de pouco mais de dois minutos, mostra a espiã invadindo o apartamento de Peter Parker em Nova York, viva, sarcástica e ciente da identidade secreta do Aranha.

A liberação antecipada soa como brinde, mas funciona como termômetro: o estúdio mede em tempo real a reação do público a um retorno que, se oficializado, reescreve parte da Fase 4. Afinal, a morte de Natasha era um dos poucos eventos considerados “imutáveis” dentro do MCU. O timing também destoa: enquanto “Avengers: Doomsday” sofre cortes e vazamentos de merchandising, a dupla Marvel-Sony decide soltar sua carta mais cara de graça.

Cena devolve Natasha à vida e pressiona a já frágil cronologia

No trecho publicado, Natasha entrega a Peter um pen-drive criptografado com registros do programa Sala Vermelha. A ação, segundo a legenda oficial, ocorre “pouco antes do incidente na Ponte George Washington”, situando a história entre “Capitão América: Guerra Civil” e “Vingadores: Guerra Infinita”. O problema: o próprio “Brand New Day” vinha sendo promovido como pós-Blip, com Peter lidando com a ausência de Tony Stark — ausência que deve terminar, como revelado na matéria sobre a volta de Tony Stark.

A inconsistência não passou despercebida. Horas depois, fãs lembraram que um moletom vazado de “Avengers: Doomsday” já havia apontado um furo similar: símbolos do Aranha estampados como se o herói nunca tivesse sido desmascarado por Mistério. O novo clipe confirma que o roteiro de “Brand New Day” está sendo retrabalhado, possivelmente para acomodar reprises de personagens queridos sem recorrer ao multiverso — estratégia que Kevin Feige quer reduzir na fase pós-“Loki”.

Marketing de risco evidencia novo xadrez entre licenças de heróis

A pergunta que corre nos bastidores é por que a Sony, detentora dos direitos cinematográficos do Aranha, aceitou colocar Natasha — propriedade exclusiva da Marvel Studios — no centro da campanha. Executivos próximos ao acordo apontam troca de favores: em troca da viúva “emprestada”, a Marvel liberou o Homem-Aranha para aparições relâmpago em “Avengers: Doomsday”, reforçando o elo que garante bilheterias bilionárias para ambos os lados.

Divulgar a cena agora cumpre dois objetivos. Primeiro, dribla o calendário apertado: com adiamentos de filmagem e greves recentes, qualquer novidade palpável mantém a franquia nos trending topics sem gastar trailer inteiro. Segundo, testa a elasticidade da narrativa antes de comprometer centenas de milhões em refilmagens. O mesmo método já foi aplicado ao liberar o pôster de Tommy Maximoff em “VisionQuest”, outro projeto sob observação.

Se a aceitação for alta, Natasha pode ganhar cenas adicionais e até contrato renovado, algo inimaginável quando “Viúva Negra” chegou aos cinemas híbridos em 2021. Se a recepção azedar, o estúdio culpa a “linha do tempo alternativa” e segue em frente. A manobra mostra que, nesta fase do MCU, morte de herói não é mais sentença; é pesquisa de mercado.

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