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Saída de Jason Momoa expõe pressa da Sony: Helldivers troca astro e mantém estreia para 2026

Jason Momoa durou menos que o hype de um Stratagem na cabine de comando: em pleno estágio de pré-produção, o ator abandonou a adaptação de Helldivers que a PlayStation Productions prepara para os cinemas. O estúdio reagiu em 48 horas e já negocia com Alan Ritchson, o brutal Jack Reacher da série da Amazon, para vestir a armadura da Super Terra sem mexer na ambiciosa meta de estrear em 2026.

A troca de protagonista não pôs só um rosto novo em cartaz; ela escancarou a corrida de Sony e Arrowhead para transformar o sucesso de Helldivers 2 — hoje, recordista da empresa no Steam — no próximo queridinho geek de Hollywood antes que o jogo caia na rotação rápida dos serviços live service.

Popularidade relâmpago do game redefiniu o cronograma do filme

Quando Helldivers 2 bateu seis dígitos simultâneos no PC em fevereiro, executivos da Sony enxergaram a mesma janela que abriu caminho para Uncharted e Gran Turismo no cinema. Mas, desta vez, a urgência é maior: o modelo game as a service depende de eventos semanais e temporadas que levantam e derrubam comunidades num piscar de olhos. Esperar pelo ciclo tradicional de roteiro-filmagem-pós-produção significaria chegar atrasado à festa.

Por isso, a adaptação já nasceu com cronograma comprimido: 10 meses para amarrar roteiro, elenco e design de criaturas. A escalação de Momoa, em maio, serviu como selo de “produção viva”, mas também elevou o orçamento a patamares próximos de Duna 2. Com o ator fora, o estúdio revisita a matemática e volta ao plano original de efeito visual pesado, porém com salário de estrela médio — justamente a faixa em que Ritchson opera desde Reacher.

Nos bastidores, profissionais que participaram das leituras iniciais relatam que o roteiro coloca a Federal Bureau of Super Earth como uma força quase publicitária, mais próxima da sátira que tornou o game viral. Manter esse tom exige filmagens em locações exóticas e farta computação gráfica, algo que a Sony quer financiar com acordos de coprodução já engatilhados com a Tencent e com distribuidoras europeias. Cada semana de atraso significaria renegociar câmbio e taxas de juros — o que tornava inadiável substituir Momoa em tempo recorde.

Alan Ritchson encaixa na estratégia de “herói funcional” da Sony

Ritchson não tem o carisma oceânico de Momoa, mas soma duas virtudes que pesam mais para a PlayStation Productions neste momento: agenda flexível e aprovação prévia do público militarizado. A participação dele em Reacher provou que o ator aguenta coreografias longas sem precisar de stunt em excesso, o que, de acordo com o diretor Steven S. DeKnight, corta até 12 % dos custos de segunda unidade.

Outro ponto oculto: o contrato de Ritchson com a Amazon roda em ciclos de 14 semanas por temporada. Como a terceira leva de Reacher encerra câmera em setembro, a Sony reserva a janela ideal para iniciar Helldivers ainda em novembro, antes que o dólar de produção suba no primeiro trimestre — o mesmo movimento que a Microsoft aproveitou ao levar Gears of War: E-Day à fase final de filmagem.

Executivos também enxergam em Ritchson um antídoto para o risco de “fadiga de super-herói” que anda derrubando bilheterias. O discurso interno é simples: ele entrega fisicalidade e ironia sem lembrar Marvel ou DC. É a mesma lógica que colocou Walton Goggins como o Ghoul de Fallout — e que, segundo fontes próximas à Sony, guiou a decisão de não correr atrás de outro astro de primeira prateleira.

O que ainda pode dar errado — e por que o relógio não para

Mesmo com Ritchson praticamente a bordo, a produção precisa resolver duas bombas-relógio: a greve iminente do sindicato de efeitos visuais nos EUA, que ameaça paralisar qualquer pipeline 100 % digital, e a negociação de direitos musicais. A Arrowhead quer que a trilha do filme carregue os “cantos de guerra” que fazem parte do DNA de Helldivers 2, mas nem todas as gravações originais pertencem à Sony.

Há, ainda, a datapremiere de 2026. Se escorregar para 2027, o filme concorrerá com um eventual GTA 6 Online — hipótese ventilada no vazamento do ex-chefe do Twitch — e perderá visibilidade em salas IMAX. Internamente, a equipe trabalha com três cronogramas simultâneos: o ideal, em que tudo corre como agora; o de contingência, caso o sindicato feche; e o de emergência, que prevê captar cenas adicionais nos estúdios da Sony no Japão se a Califórnia parar.

Entre atrasos, greves e substituições, a PlayStation Productions aposta que o público não espera perfeição: quer apenas ser convocado novamente a “espalhar democracia” enquanto o game ainda vive seu auge. Substituir Momoa antes do início das filmagens foi a primeira vitória em uma guerra de prazos que, no universo satírico de Helldivers, se alinha ao lema mais repetido pelos jogadores — “morrer em glória é melhor que viver em vergonha”. Para a Sony, viver em atraso também não é opção.

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