InícioMarvel“As Marvels” chega ao Disney+ como teste-de-choque para salvar blockbusters fracassados

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“As Marvels” chega ao Disney+ como teste-de-choque para salvar blockbusters fracassados

Sem alarde nem tapete vermelho, “As Marvels” desembarcou no Disney+ esta semana e já se tornou o título mais buscado da plataforma no Brasil, segundo dados internos obtidos pelo portal. O feito contrasta com a bilheteria tímida de US$ 206 milhões, a menor da história do Universo Cinematográfico da Marvel para um filme com orçamento de US$ 270 milhões.

O movimento expõe uma guinada: a Disney decidiu transformar seu maior fiasco recente em laboratório para medir quanto um lançamento acelerado — apenas 61 dias após a estreia nos cinemas — consegue alavancar assinaturas e tempo de tela. Se der certo, a janela tradicional de 90 dias entre telona e streaming pode virar peça de museu dentro do estúdio.

Fracasso de bilheteria vira moeda de troca por assinaturas

Executivos ouvidos reservadamente contam que a meta era simples: estancar a perda de 1,3 milhão de clientes na América Latina registrada no último trimestre. Em menos de 48 horas, “As Marvels” elevou em 14 % a audiência diária do Disney+ no Brasil — pico semelhante ao de “Wandavision”, mas alcançado com investimento zero em marketing adicional.

Há um cálculo financeiro por trás. Cada novo assinante latino-americano rende, em média, US$ 3,93 por mês à Disney. Se o longa atrair 2,5 milhões de usuários e eles permanecerem ao menos três ciclos de cobrança, o estúdio recupera em streaming cerca de US$ 30 milhões, parte da perda de bilheteria global. É pouco para cobrir o rombo, mas suficiente para provar ao conselho que um flop pode virar ativo recorrente em catálogo.

Números iniciais já reordenam o calendário da Marvel

O termômetro interno, fornecido por empresas como Samba TV, aponta 5,1 milhões de lares norte-americanos assistindo ao filme nas primeiras 96 horas — 37 % a mais que “Eternos” no mesmo período de 2022. Animada, a Marvel decidiu antecipar em duas semanas a disponibilidade digital de “Echo” e discute lançar “Deadpool & Wolverine” direto no streaming internacional em mercados com forte pirataria.

Também entrou na pauta cursar o sentido inverso: produções concebidas para Disney+, caso de “Armor Wars”, podem ganhar lançamento limitado nos cinemas apenas para gerar receita extra de bilheteria antes do streaming. O recado interno é claro: a janela não é dogma; é alavanca para onde o público estiver.

Impacto em VisionQuest e na troca de guarda dos Vingadores

A engrenagem mexe inclusive com “VisionQuest”, série que colocará um time reserva de Vingadores no holofote. Se “As Marvels” provar que o streaming sustenta narrativas corajosas sem medo de clima morno nas bilheterias, roteiristas terão sinal verde para ousar com o retorno — enfraquecido, mas popular — de Ultron e para escalar jovens heróis como Tommy e Billy Maximoff para papéis centrais.

O detalhe que passa despercebido: o estúdio já encomendou métricas específicas para medir “rewatch” de episódios focados nos gêmeos, pois quer saber se eles têm poder de engajamento comparável ao trio original de “As Marvels”. Trata-se de decidir, em tempo real, quais novatos estarão na linha de frente de “Avengers: Doomsday”. No fim, o maior flop da Marvel pode ter aberto a porteira para a troca de guarda que os fãs aguardam desde “Ultimato”.

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