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Paramount ressuscita World War Z 2 e escala Brad Pitt para virar trunfo na guerra dos streamings

A Paramount passou os últimos seis anos dizendo que “queria muito” uma continuação de World War Z — mas sem tirar o projeto da gaveta. Bastou a bilheteria global dos zumbis voltar a crescer em plataformas de streaming para o estúdio fechar, nesta semana, um acordo final com Brad Pitt e, enfim, colocar a sequência em pré-produção treze anos após o primeiro filme.

O retorno do astro não é apenas um capricho nostálgico: executivos trataram o novo contrato como peça-chave para fortalecer o catálogo do Paramount+ em 2026, ano em que Disney, Warner e Amazon já alinham superproduções exclusivas. Nos bastidores, o sinal de luz verde foi dado depois que relatórios internos mostraram que World War Z ainda figura entre os cinco longas de catálogo mais assistidos no streaming da companhia em países como Brasil e México.

Sequência atropela passado conturbado e ganha cronograma inédito

Entre 2015 e 2019, o estúdio ensaiou três roteiros diferentes, sondou J. A. Bayona e David Fincher, mas esbarrou em orçamentos que batiam US$ 190 milhões e no veto do governo chinês a filmes de zumbis — um mercado que, sozinho, pode decidir a vida financeira de um blockbuster. A versão atual mira cifras mais modestas, na casa dos US$ 140 milhões, e deve contornar o bloqueio asiático com locações na Europa Oriental e América do Sul, tidas como palcos “neutros” para a trama global.

O roteiro — mantido sob cláusula de confidencialidade — parte do gancho despercebido deixado no epílogo de 2013: a vacina improvisada já não segura mutações do vírus em bolsões isolados, criando campo para uma narrativa de guerrilha menos espetacular e mais tensa. O foco menor em batalhões digitais reduz custos de CGI, mas promete dar a Pitt um território de atuação mais física, no estilo de Ad Astra e Bastardos Inglórios.

Por que World War Z virou munição estratégica para o Paramount+

Executivos admitem que a plataforma ainda carece de “grandes eventos” capazes de atrair assinantes em massa. A aposta é que um lançamento de cinema, seguido de janela exclusiva de 45 dias no streaming, produza o “efeito Top Gun” em mercados fora dos EUA. O estúdio flerta até com transmissão de bastidores em tempo real, fórmula que a Sony testou na produção de Helldivers — caso que repercutiu quando Jason Momoa deixou o elenco ainda na fase de concept art.

A leitura interna é que sagas de ameaça global funcionam como “cola cultural”: geram memes, cosplay, vídeo-reação e, principalmente, reengajam catálogos antigos. No último Halloween, a reprise do filme original rendeu alta de 34 % nas visualizações do Paramount+ no Brasil, o suficiente para superar clássicos do gênero como Extermínio e Madrugada dos Mortos. Esse dado fortaleceu a tese de que a marca continua viva mesmo sem conteúdo novo há mais de uma década.

Detalhe que pouca gente viu: o final alternativo que virou ponto de partida

Poucos fãs notaram que a versão estendida lançada em Blu-ray em 2014 traz um final alternativo em que Gerry Lane, personagem de Pitt, descobre que a mutação do vírus reage de forma diferente a temperaturas extremas. Esse trecho, considerado “non-canon” na época, agora servirá como justificativa para ambientar cenas em Ushuaia, na Patagônia, onde a produção já reservou estúdios de filmagem para julho de 2025.

Se cumprir o cronograma de 15 meses entre filmagem e pós-produção, World War Z 2 chega aos cinemas no segundo semestre de 2026, exatamente quando a Paramount prevê atingir 100 milhões de assinantes globais. A sequência não pretende apenas reviver um hit de 2013; ela foi escalada para provar que, na nova ordem dos streamings, até um zumbi adormecido pode virar o soldado mais valioso em campo.

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