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Peacock escala Crystal Lake para desafiar rivais do terror no Halloween

Jason Voorhees voltará a erguer o facão – agora não no cinema, mas como o carro-chefe da programação de Halloween que o Peacock montou para outubro. Ao anunciar a pré-série Crystal Lake no coração da grade temática, o serviço de streaming da NBCUniversal sinaliza que pretende ocupar um nicho do terror deixado vago na guerra dos apps após a safra recorde de cancelamentos e reajustes de preço em 2023.

A estratégia chega quando o Peacock ainda lambe as feridas de uma perda de 651 mil assinantes no segundo trimestre. O estúdio aposta que susto vende: além de renovar o catálogo com franquias clássicas, a plataforma usa a atenção gerada pelo feriado para testar um modelo híbrido – lançar produções de peso no digital sem canibalizar bilheterias, prática que Five Nights at Freddy’s já colocou à prova em 2022.

Crystal Lake renova a lenda de Jason e dobra a aposta em conteúdo inédito

No papel, Crystal Lake é “apenas” uma prequel de Sexta-Feira 13; na prática, ela resolve um imbróglio jurídico que travava a franquia desde 2009. Com o roteirista Victor Miller recuperando parte dos direitos do primeiro filme, a série produzida pela A24 encontrou no streaming terreno neutro para driblar restrições de personagem: pode usar a ambientação do acampamento, mas introduz novos monstros, moderniza a mitologia e – segundo fontes ligadas à produção – larga com orçamento de drama premium, não de TV a cabo.

Para o Peacock, isso é mais que fan service. A pré-série servirá de termômetro para medir a viabilidade de franquias de terror episódicas, área em que o concorrente Paramount+ colhe boa audiência com Wolf Pack e em que a Netflix reina desde Stranger Things. Se Crystal Lake converter em assinaturas, a NBCUniversal já tem na fila negociações com a Blumhouse para minisséries que expandam Atividade Paranormal e Feliz Dia da Morte.

Clássicos, estreias simultâneas e algoritmo de susto prolongado

A maratona de outubro não vive apenas de Jason. O Peacock liberará, por 31 dias, um cofre de filmes fora de janela como O Enigma de Outro Mundo, Psicose II e as três versões de Carrie, a Estranha. Nos bastidores, executivos afirmam que o objetivo não é inflar biblioteca, mas criar o que chamam de “corrente de frio”: cada título fica disponível por tempo contado, empurrando o espectador para o próximo e mantendo o engajamento alto durante todo o mês.

Entre os inéditos, dois movimentos merecem atenção. O primeiro é o lançamento day-and-date de Five Nights at Freddy’s em 27 de outubro, repetindo a tática de Halloween Ends em 2022: ingressos de cinema e streaming no mesmo dia. O segundo é a janela reduzida para The Exorcist: Believer, que chegará à plataforma antes do Natal caso alcance a projeção de bilheteria. Ambos os casos testam, em tempo real, se o terror ainda sustenta assinaturas sem depender de grandes eventos esportivos – hoje a principal locomotiva do Peacock.

Para o público brasileiro, a novidade escapa por enquanto aos catálogos locais; nem Globoplay + canais ao vivo nem Universal+ confirmaram a inclusão. Ainda assim, o laboratório é relevante: se funcionar nos Estados Unidos, o modelo deve se espalhar entre parceiros internacionais em 2024. Resta saber se, até lá, o facão de Jason abrirá caminho suficiente para que o terror se torne um negócio de 12 meses, não só de 31 noites assombradas.

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