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Marvel mira Senhor Sinistro e ressuscita cliffhanger esquecido nos novos X-Men

Ainda que o anúncio oficial dos atores não tenha acontecido, a sala de roteiristas dos novos X-Men já decidiu qual dívida histórica pagar primeiro: dar finalmente um palco ao vilão Senhor Sinistro, cuja existência foi apenas soprada em cenas pós-crédito dos filmes da Fox e jamais entregue ao público.

O movimento não é só fan service. Ao resgatar a trama inconclusa da corporação Essex, Kevin Feige ganha um antagonista inédito no MCU, evita repetir Magneto e, de quebra, abre caminho para adaptar o “Massacre de Mutantes”, arco que a Fox ensaiou e engavetou em 2016.

Feige tira da gaveta o laboratório Essex e seu clone inacabado

A pista ficou esquecida desde “X-Men: Apocalipse”, quando uma maleta com o logotipo da Essex Corp roubava o DNA de Wolverine. O plano era introduzir Nathaniel Essex, geneticista obcecado por evolução, em “Novos Mutantes” ou num spin-off de Gambit. A venda da Fox para a Disney brecou tudo e deixou anos de desenvolvimento presos em rascunhos.

Segundo interlocutores que participaram das primeiras reuniões, a Marvel recuperou esses documentos — inclusive um tratamento de roteiro em que Sinistro cria clones de Jean Grey — para evitar partir do zero. A decisão atende a duas urgências: ter um vilão de porte Thanos antes de “Secret Wars” e amarrar a nova mitologia mutante a algo já reconhecível pelo público.

‘Massacre de Mutantes’ encaixa na cronologia do Multiverso

O arco dos quadrinhos de 1986, em que Sinistro ordena o extermínio dos subterrâneos Morlocks, oferece à Marvel uma história contida e, ao mesmo tempo, expansiva. Primeiro, porque explica imediatamente o preconceito contra mutantes — algo que o MCU ainda não justificou. Segundo, porque conecta Sinistro a viagens no tempo via Cable e ao DNA dos Summers, peças úteis na fase do Multiverso.

Executivos também enxergam valor simbólico: após anos em que só Vingadores conduziam grandes eventos, a franquia pode testar uma narrativa centrada em heróis que sequer existem oficialmente no universo compartilhado, reforçando a lógica já vista em produções que fogem do eixo principal, como apontamos em artigo sobre filmes que expandem a Marvel além dos Vingadores.

Impacto direto em Deadpool 3 e na série animada 97

A produção de “Deadpool 3”, que passou a usar variantes multiversais para costurar participações da velha guarda, agora considera uma aparição rápida do próprio Sinistro — mesmo que apenas como Easter egg — para legitimar a ameaça antes do reboot completo. A animação “X-Men 97”, por sua vez, renovada para a segunda temporada, trabalha com o vilão como big bad; a sinergia serviria de termômetro de popularidade para o live-action.

O cronograma interno indica filmagens do longa dos mutantes em 2025, mas o verdadeiro jogo começa já: brinquedos licenciados com o logo Essex chegam às prateleiras no segundo semestre de 2024. Se a Marvel confia o marketing ao vilão que a Fox deixou no limbo, é sinal de que a dívida será paga — com juros de quase dez anos de espera.

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