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De Homem-Aranha a sabre de luz: Disney recruta Jon Watts para reaquecer Star Wars nos cinemas

Jon Watts mal recolheu as teias de No Way Home e já recebeu outra missão intergaláctica: comandar o próximo filme da saga Star Wars, ainda sem título oficial. O acerto, revelado nos bastidores de Hollywood nesta terça (19), põe fim à busca de cinco anos da Lucasfilm por um cineasta capaz de devolver fôlego à marca nos cinemas, parada desde A Ascensão Skywalker em 2019.

O movimento reforça uma tendência silenciosa nos corredores da Disney: promover uma circulação interna de diretores para conter o desgaste criativo e o gargalo de lançamentos. Se Watts entrega o sabre de luz dentro do prazo, a Marvel perde — de novo — um nome-chave, depois de ele já ter abandonado o reboot de Quarteto Fantástico. A troca revela mais do que uma simples dança de cadeiras, expõe a estratégia de sobrevivência da gigante do entretenimento.

Lucasfilm faz aposta dupla: currículo pop e teste de fogo com “Skeleton Crew”

A escolha de Watts não veio do nada. Ele já filma a série Skeleton Crew para o Disney+, descrita internamente como “Stranger Things com X-wings”. O set virou laboratório: segundo fontes do estúdio, Kathleen Kennedy acompanhou de perto as gravações e gostou da forma “sem frescura” com que o diretor lida com efeitos práticos — algo que a Lucasfilm quer resgatar para diferenciar seus longas do tsunami de CGI que lota o streaming.

O timing também é cirúrgico. Em maio, a presidente do estúdio precisou engavetar projetos de Patty Jenkins e Taika Waititi por divergências de roteiro. Entregar o comando a um diretor já entrosado com a cultura corporativa da Disney economiza meses de pré-produção e sinaliza que a próxima aventura deve entrar em filmagem no primeiro semestre de 2025.

Impacto imediato: Marvel perde fôlego e cronograma da Fase 6 balança

Dentro da Casa das Ideias, a baixa é sentida como mais um desencaixe no tabuleiro pós-Endgame. A renúncia de Watts ao Quarteto Fantástico já havia obrigado Kevin Feige a reorganizar estreias, como revelado quando a Fase 6 sofreu um efeito dominó. Agora, executivos temem que o hiato de outra peça confiável traia a meta informal de lançar até quatro filmes por ano.

A consequência prática é atropelar prioridades. Com a saída de Watts, VisionQuest ganhou atenção acelerada — inclusive a inclusão de Jocasta e o retorno de Ultron, já monitorados em cobertura recente. Nos bastidores, produtores admitem que só devem anunciar oficialmente um novo diretor para o Quarteto após a recepção de Deadpool 3, que virou o termômetro de confiança da marca.

Por que isso importa agora — e o detalhe que passa batido

O buraco é maior do que a troca Marvel-Star Wars. A Disney encara, pela primeira vez, o limite físico de seus próprios calendários. Se Watts entregar o filme em ritmo de blockbuster, a gestão Bob Iger prova que compartilhar talentos entre divisões é solução, não vulnerabilidade. Caso contrário, a estratégia de saturação mostrará rachaduras que atores como Sebastian Stan apontam como pressão tóxica dos fãs — crítica que ele vocalizou em entrevista que gerou alarme interno.

O que poucos notaram: Watts negociou “cláusulas de saúde”, que lhe garantem uma janela mínima de seis meses entre o fim da produção de Skeleton Crew e o início das filmagens do novo longa. A exigência contraria o modelo Marvel de sobreposição de sets e indica que, pelo menos neste projeto, a Lucasfilm topou repensar prazos para evitar o desgaste que arranhou as últimas sequências da trilogia Skywalker.

Se a aposta vingar, veremos a mesma lógica migrar de volta para a Marvel — e a própria Disney reconhecerá que, para manter universos inteiros de pé, às vezes é preciso desacelerar o foguete antes que ele rompa a atmosfera.

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