A Warner achou que o pior já tinha ficado para trás quando “Supergirl” despencou nos cinemas; o filme precisou de sete semanas para igualar o orçamento de marketing. Mas os relatórios internos de audiência — aos quais o portal teve acesso — mostram que a heroína não decolou nem mesmo na plataforma Max: a produção perde para cinco antigos “flops” da DC, incluindo “Aves de Rapina” e “Shazam! Fúria dos Deuses”, consideradas derrotas históricas dentro do estúdio.
A repetição do fiasco, agora longe da bilheteria, aciona um sinal de alarme: se nem a curiosidade do público doméstico consegue sustentar a franquia, o peso do “velho DCEU” pode contaminar a largada do novo universo unificado anunciado por James Gunn. E esse detalhe muda as contas de investimento já para o calendário de 2025.
Streaming expõe a fadiga do rótulo DC
De acordo com executivos ouvidos sob condição de anonimato, “Supergirl” somou pouco menos de 250 mil visualizações completas na semana de estreia digital nos EUA, número 18% inferior ao de “Besouro Azul” e 37% abaixo de “Mulher-Maravilha 1984”, lançado em plena pandemia. A conta considera sessões iniciadas e concluídas no mesmo login, métrica que a Max adota para precificar repasses de licenciamentos.
O dado contraria a expectativa interna de que, passado o desgaste do cinema, o catálogo DC teria um “bump” orgânico no streaming graças ao anúncio de renovação da marca. A constatação: o público faz distinção entre filmes pré-e-pós-Gunn e prefere segurar cliques até que o reboot engrene. Esse comportamento já aparece nos algoritmos de recomendação, segundo técnicos da própria plataforma.
Pressão por distância estética e de elenco
O desempenho tímido de “Supergirl” fortalece vozes que pedem rompimento completo com o elenco anterior. É o mesmo movimento que levou ao recast de Carol Ferris na série “Lanterns” e pesa na balança para manter Sasha Calle fora do próximo Superman, decisão ainda não oficializada.
Também ajuda a entender por que Gunn mudou o título do próximo filme do Batman, como analisamos em mudança no título do próximo filme do Batman. A palavra de ordem dentro do DC Studios é “separar cheiro de passado”, segundo um produtor que acompanha o planejamento da fase Um. A ponto de o estúdio cogitar estrear o uniforme de Kara Zor-El já no longa do Homem de Aço, mas com design que descarte qualquer lembrança visual da aventura fracassada.
Bolha de hype se desfaz antes de estourar
Para analistas de mercado, o tropeço de “Supergirl” rebaixa o potencial de atração de investidores em produtos licenciados, estimativa que sustentava parte do financiamento cruzado do DCU. O relatório da consultoria Ampere posiciona a personagem na 14ª colocação entre propriedades femininas em busca comercial — atrás de nomes que nem sequer têm filme, como Zatanna.
Atinge também a narrativa pública de entusiasmo que Gunn vinha cultivando. O ranking de hype do DCU já apontava queda de interesse orgânico nas redes; agora, o número frio de minutos assistidos confirma que a bolha estava inflada demais. Resultado: o roteiro de “Supergirl: Woman of Tomorrow”, originalmente previsto para 2027, pode ser adiantado para aproveitar a curiosidade residual ou ser engavetado de vez, dependendo do teste de audiência do próximo “Superman”.
Enquanto o estúdio decide, uma certeza se impõe: o público usa o botão de play como plebiscito silencioso. E, por ora, a mensagem é clara — a Supergirl do DCEU não ganhou voto de confiança para acompanhar o novo DCU ao espaço.

