O que teria sido a revanche de Tom Cruise nas pistas virou combustível para outro velocista: Joseph Kosinski, celebrado por “Top Gun: Maverick”, recusou avançar na sequência tardia de “Dias de Thunder” para assumir “Ghost Rider” no Universo Marvel. A manobra, confirmada por executivos ouvidos na última semana, garante ao estúdio de Kevin Feige o diretor que transformou a nostalgia de 1986 num fenômeno de bilheteria em 2022.
Mais do que uma troca de projetos, a decisão revela como a Marvel voltou a atrair autores de blockbusters depois de um 2023 irregular. E lança Ryan Gosling — que há dois anos flerta publicamente com o Motoqueiro Fantasma — num set que deve acelerar já no início de 2025, antes mesmo de “Avengers: Secret Wars”.
Kosinski leva seu fetiche por velocidade para o lado sobrenatural
Embora seja lembrado pelos jatos de “Top Gun”, Kosinski construiu identidade em narrativas de alta octanagem: “Tron: Legacy” corre em motoluzes, “Oblivion” brinca com drones e “Only the Brave” avança entre chamas. É justamente esse repertório de fogo e movimento que convenceu a Marvel a restringir o leilão de diretores ao cineasta, segundo fontes ligadas à diretoria de produção.
A promessa interna é enfiar o espectador no cano de escape do personagem, dispensando a aura gótica das versões de Nicolas Cage, para entregar uma road movie infernal que dialogue com a tensão minimalista já elogiada em A virada “Resident Evil”: por que a tensão minimalista virou novo manual das adaptações de games. Com efeito, a mesma equipe de fotografia aérea de “Maverick” foi contratada para desenvolver rigs que filmem motos em velocidades reais, sem recorrer à tela verde sempre que possível.
Tom Cruise fica sem pista, mas mantém acordo de gaveta
A Paramount havia colocado a sequência de “Dias de Thunder” em pré-desenvolvimento imediato após o sucesso de “Maverick”, com Cruise, o produtor Jerry Bruckheimer e Kosinski a bordo. O roteiro rascunhado previa um veterano da Nascar que confronta a era dos simuladores — um espelho do arco de Maverick com drones. Com a saída do diretor, o estúdio suspendeu contratações de autódromos e adiou testes em pista para 2024.
Executivos próximos a Cruise garantem que o projeto não morreu; ele foi “congelado até que as agendas voltem a se alinhar”. A leitura de mercado, porém, é menos otimista: a janela ideal seria 2026, quando Kosinski ainda estará envolvido na pós-produção de “Secret Wars”. Hollywood observa a repetição de um padrão que já empurrou continuações tardias como “The Dark Knight Returns” para escanteios, movimento analisado em Snyder mira selo Elseworlds para ressuscitar The Dark Knight Returns.
Por que isso importa agora
O MCU enfrenta questionamentos sobre esgotamento de fórmulas e perda de força de bilheteria. Ao cooptar Kosinski — hoje o diretor recordista de aprovação popular entre blockbusters PG-13 — a Marvel sinaliza que está disposta a reabastecer sua frota criativa. Internamente, há expectativa de que “Ghost Rider” funcione como laboratório para rejuvenescer a linha “Marvel Knights”, divisão mais sombria onde Blade, Demolidor e o Cavaleiro da Lua trafegam.
Para o leitor, o detalhe que escapa em manchetes é a sincronia de calendário: o contrato fechado inclui cláusula de estágio no parque Avengers Campus, na Disney Califórnia, onde já existe um veículo incendiário usado em desfiles noturnos. A cena-teste de Gosling deve ser captada ali, economizando milhões em design de produção e abrindo caminho para que o Motoqueiro Fantasma esteja fisicamente presente em eventos antes mesmo do trailer oficial.
Se cumprir o cronograma, Kosinski entregará o primeiro filme solo de um anti-herói na fase 6 do MCU, transformando gasolina de corrida em fogo infernal — e, de quebra, deixando Tom Cruise esperando nos boxes.

