Scarlett Johansson desembarcou no set de “The Batman: Part 2” com um corte curto, assimétrico e tingido de cobre intenso que jamais foi visto em seus trabalhos anteriores. A cor e o desenho chamaram mais atenção do que a própria confirmação da atriz na produção, porque antecipam algo que o marketing da Warner tentava segurar a sete chaves: a entrada definitiva de Poison Ivy no universo de Matt Reeves.
O detalhe não é mera vaidade de atriz. Desde a pré-produção, o diretor vinha sinalizando que a continuação abriria espaço para o sobrenatural — como já analisamos em “Batman de Matt Reeves abandona o realismo puro e libera o sobrenatural em ‘Part II’”. O tom avermelhado vivo, combinado a um undercut que lembra vinhas subindo pela nuca, se encaixa tanto na estética botânica da vilã quanto na promessa de abandonar o preto-e-mesmo-preto do primeiro longa.
Penteado conversa com mudanças de tom no roteiro
Fontes de bastidor contam que Reeves decidiu seguir pelo caminho “gótico-orgânico” após testar designs que não convenciam para Arlequina, Charada e Mulher-Gato. A escolha por Johansson, atriz de perfil estrela global, reforça a leitura de que Ivy não será coadjuvante exótica, mas o novo eixo moral do filme — posição antes reservada a Charada. O corte minimalista facilita a aplicação de próteses de pele entre o couro cabeludo e a testa, necessárias para simular veias de clorofila que a personagem exibe em cenas de fúria.
Outro sintoma dessa guinada é o figurino verde-musgo levemente metalizado visto no mesmo dia das fotos. Não há flores no tecido, como nos quadrinhos, mas um padrão de folhas quase microscópico que só aparece sob luz direta, conversando com a leitura mais séria que Reeves quer imprimir. É um aceno discreto, porém calculado, ao público que percebeu na troca de título do próximo longa do Batman — discutida em “Mudança no título do próximo filme do Batman expõe manobra de James Gunn para separar os ‘dois Cavaleiros’ da DC” — a tentativa de diferenciar universos sem perder a assinatura visual.”
Impacto imediato no próprio DCU de James Gunn
A revelação indireta pressiona James Gunn a organizar a agenda de vilões no DCU central. Se Ivy ganhar corpo no universo “Reeves-verso”, Gunn terá de decidir se replica a personagem em outra linha do tempo ou se cede espaço para nomes menos explorados. A escolha influencia inclusive a continuação de “Superman 2” — alvo do nosso levantamento de hype — já que parte do orçamento de marketing pode migrar para cruzamento de narrativas, algo que a Warner faz desde “Coringa” de Todd Phillips.
Para os fãs, o corte de cabelo de Johansson virou mais do que uma curiosidade de salão: é o primeiro elemento concreto que conecta rumores de elenco, clima sobrenatural e hierarquia de vilões. Faltam meses para o teaser oficial, mas a tesoura já contou metade da história.

