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Sucesso imediato de Coven Academy pressiona Disney+, mas 2ª temporada depende de episódios mais longos

Cinco dias bastaram para Coven Academy atropelar pesos-pesados como The Mandalorian no ranking brasileiro do Disney+ e ganhar menções em todas as redes sociais do grupo. Nos corredores da plataforma, o expediente virou meme: “bruxaria boa é essa que segura assinante no feriado”, ouviu a reportagem.

O anúncio da segunda temporada parecia questão de horas, mas um ponto invisível ao público freou o champanhe. A mesma métrica de horas assistidas que coroou a série também pune seus capítulos enxutos, de 18 a 23 minutos, e o estúdio quer esticar esse tempo. O criador Tim Federle resiste — e o acerto sobre o cronômetro tornou-se o feitiço decisivo para a continuidade da trama.

Explosão de audiência muda a fila de prioridades do Disney+

De acordo com executivos ouvidos sob confidencialidade, Coven Academy entrou no top 3 mundial do serviço no fim de semana de estreia, algo que só WandaVision e Loki haviam conseguido entre produções originais do selo Marvel. O dado surpreende não apenas pelo tema — fantasia colegial em Nova Orleans —, mas pelo custo: o orçamento por episódio fica abaixo da metade de séries de super-herói.

Internamente, a leitura é clara: a Disney encontrou um substituto orgânico para a lacuna deixada por The Owl House e pelas animações de bruxas que saíram do catálogo. A rápida adesão do público adolescente também reforça a ofensiva sobre o espaço que a Netflix domina desde Wednesday. O pacote inclui merchandising, expansão para quadrinhos e, em planejamento inicial, um jogo mobile já em fase de licenciamento.

Minutagem curta vira arma de negociação na sala dos roteiristas

O estopim do impasse é conhecido dos fãs que acompanham bastidores: a batalha pelo cronômetro. Federle defende o formato de “curtas mágicos” para manter ritmo ágil e caber melhor no mobile, onde a série performa 37% acima da média do app, segundo a própria Disney. Já os executivos argumentam que episódios mais longos geram minutos vistos e, por tabela, convencem investidores.

A solução proposta pela plataforma envolve mínimo de 30 minutos, com 40 minutos reservados ao season finale. Fontes próximas ao showrunner contam que ele aceitaria se a ordem total subir de oito para dez episódios, distribuindo o tempo extra entre novas subtramas. O modelo lembra a estratégia de Widow’s Bay, que alongou capítulos mas manteve humor ácido para não perder identidade.

Prazo de filmagem e contratos infantis correm contra o relógio

Existe ainda a corrida biológica: Malina Weissman e o núcleo juvenil completam 18 anos em 2024, o que altera regras trabalhistas e aumenta custos de diária. Manter o elenco original sem inflacionar a tabela de salários depende de iniciar gravações até março, data limite sugerida pelo sindicato norte-americano.

Nos bastidores, a equipe de produção já reserva estúdios em Atlanta e busca locações em mobile units para garantir que, assim que o acordo de minutagem sair, as câmeras rodem em poucas semanas. Caso contrário, a renovação pode vir acompanhada de hiato prolongado — e, para um streaming que perdeu 11,8% de assinantes no último trimestre, cada mês sem conteúdo inédito pesa como feitiço reverso.

Se a matemática fechar, o Disney+ anunciará oficialmente a segunda temporada ainda em outubro. Até lá, o futuro de Coven Academy seguirá no limbo: sucesso incontestável à espera de um simples ajuste de ponteiro — ou, como brinca a equipe de roteiro, “um feitiço para alongar o tempo sem perder a magia”.

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