“Possivelmente.” Em uma única palavra, Josh Brolin incendiou as redes e colocou de novo o estalo de Thanos no centro do debate sobre Avengers: Doomsday, ápice da Fase 6 do MCU. O ator, questionado sobre um retorno, não disse sim nem não — apenas deixou no ar uma possibilidade que, dentro da Marvel, é tudo menos simples.
O suspense não é mera cortesia a Kevin Feige. Nos escritórios da Disney, o futuro vilão-chefe de Doomsday se tornou disputa interna: parte da equipe quer apostar na rivalidade inédita entre Doutor Destino e Steve Rogers, já ventilada em materiais paralelos; outra ala defende reacender o temor existencial que só Thanos entregou. A resposta críptica de Brolin ajuda justamente a manter viva essa incerteza, virando arma de marketing antes mesmo das câmeras rolarem.
Marvel testa reação do público enquanto define o antagonista principal
Fontes ligadas à pré-produção confirmam que roteiros circulam com duas versões de ato final: uma centrada em Destino dominando o multiverso, outra em um Thanos ressuscitado pelo caos temporal aberto em Loki. Nas leituras de mesa, personagens mudam de posição conforme a ameaça. Thor, por exemplo, ganha o novo elmo já criticado em imagens divulgadas só na linha em que encara Destino; se o Titã volta, o herói assume design mais próximo de Infinity War.
O impasse explica o cuidado no casting: escalar Brolin agora significaria cravar o enredo definitivo, algo que a Marvel evita até medir engajamento de trailer, merchandising e buzz em eventos como a D23. A estratégia repete o que o estúdio fez ao reverter o final da segunda temporada de Loki para acomodar melhor as novas regras de viagem no tempo — mudança só confirmada depois da reação do público-teste.
Por que um “Thanos 2.0” pode ser necessário — e o que mudaria no estalo
Desde Vingadores: Ultimato, a Marvel lida com vilões que fracassam em gerar a mesma urgência cósmica. Kang perdeu força após a crise de Jonathan Majors; Arishem sumiu da pauta. Trazer Thanos de volta resolveria esse déficit de ameaça instantânea. Mas o estúdio sabe que repetir o estalo sem novidade seria desperdiçar a carta mais valiosa do MCU.
Executivos discutem, em reuniões fechadas, três caminhos para o retorno:
- Thanos variante, sem memória do estalo, explorando a culpa coletiva dos heróis.
- Versão mística, libertada por mechas da Feiticeira Escarlate, conectando-o ao eixo de magia reativado pela cena pós-créditos de Brand New Day.
- Aliança temporária entre Destino e Thanos contra uma terceira força, ideia que agrada roteiristas ansiosos por exibir duas lendas lado a lado.
Qualquer cenário exige refazer a balança de poder dos Vingadores. A inserção do “filho de T’Challa”, apontada como chave do reboot de Pantera Negra, só faz sentido se o clímax extrapolar Wakanda. Já a tensão de Peggy Carter com Steve, revelada nos rascunhos de Doomsday, ganha nova camada caso Rogers ouse negociar com o antigo inimigo.
Pistas espalhadas reforçam teoria de retorno, mas Marvel ainda pode recuar
Arte conceitual vazada de Brand New Day mostra Hulk mais bestial, ecoando o trauma de enfrentar Thanos. Em VisionQuest, a remoção da voz “Karen” de Peter Parker — analisada aqui — abre espaço para o herói colocar Tony Stark de lado, indício de que o enredo prepara guerra emocional inédita.
A própria menção de Brolin ao possível retorno surge no momento em que Rob Liefeld comenta “ainda há carne nesse osso” para Cable, outro personagem do ator. O recado aos fãs é duplo: nada está decidido e tudo pode ser remixado pela lógica do multiverso. Com a filmagem programada para começar em fevereiro, a Marvel tem poucos meses para escolher qual vilão vai estampar o pôster. Até lá, cada “possivelmente” calculado seguirá valendo milhões em cliques — e em expectativa.
No fim, o silêncio de Josh Brolin fala alto: Thanos pode nunca voltar, mas a Marvel descobriu que mantê-lo sem resposta ainda é seu trunfo narrativo mais poderoso.

