Arte promocional vazada de Avengers: Doomsday exibiu por segundos a figura de Boris ― o bruxo que, nos quadrinhos, serve como conselheiro sombrio de Doctor Doom. Dias depois, fontes ligadas à pós-produção confirmaram que o personagem foi riscado da versão final do roteiro.
O apagamento repentino do “segundo em comando” não é apenas uma edição de elenco: indica que a Marvel mudou de ideia sobre como equilibrar dois mágicos de peso num filme já lotado de divindades, Guardiões da Galáxia, Loki como Deus das Histórias e até um Ultron quase mitológico. A tesoura escancara uma disputa silenciosa por minutos de tela que, segundo gente envolvida na revisão de cenas, ainda está longe de terminar.
Corte de Boris expõe briga por minutos de tela e orçamento
Dentro da equipe de Kevin Feige, a permanência de Boris era tratada como moeda de troca: mantê-lo significaria criar ao menos três sequências de magia negra para explicar sua lealdade canina a Doom. Cada uma custaria cerca de US$ 5 milhões em efeitos, segundo estimativa de consultores contratados pelo estúdio. Ao cortar o bruxo, a produção economiza e, principalmente, libera espaço para a volta de Loki, já confirmada na forma sobre-humana vista na imagem divulgada em Foto inédita de Loki como “Deus das Histórias”.
A matemática do tempo de tela tornou-se mais apertada depois que o roteiro passou a incluir uma menção estratégica aos Guardiões da Galáxia ― revelada pela peça de marketing que provocou fãs cósmicos. Como a Marvel precisa regenerar seu lado espacial após o fim da trilogia principal, a citação dos Guardiões é tida como “não negociável”. Resultado: alguém teve de sair e o elo mais fraco virou o conselheiro de Doom.
Manter Doom solitário é risco calculado para não diluir o vilão
Executivos temiam repetir o erro de Thanos em Guerra Infinita, quando subordinados irrelevantes confundiram o público casual. Ao deixar Doom sozinho, a Marvel evita novo “miniboss” descartável e preserva o ar de tirano autossuficiente, algo que diferencia o vilão de antagonistas anteriores. É uma lição aprendida após críticas a Kang, cujo excesso de variantes diluiu a ameaça principal.
Há, contudo, um efeito colateral: sem Boris, Doom perde o porta-voz que explicaria sua conexão com artes arcanas. Isso pressiona o roteiro a encontrar outra boca para falar de feitiçaria. A aposta é que a lacuna seja preenchida por um Doutor Estranho alternativo ― rumor reacendido quando pôsteres apontaram Benedict Cumberbatch em papel duplo, tema detalhado em arte vazada do filme.
Domino místico: de VisionQuest ao futuro Midnight Sons
A guilhotina que atingiu Boris se conecta a um movimento maior: a Marvel vem comprimindo figuras místicas para abrir espaço a tramas tecnológicas e cósmicas. Em VisionQuest, por exemplo, Ultron ressurgiu com feições de semideus, deslocando o eixo mágico que antes cabia a Estranho e Wanda. A mudança obrigou a própria série do Ultron “mitológico” a eliminar coadjuvantes místicos e até sacrificar Pepper Potts.
No horizonte, a nova formação dos Midnight Sons também circula sem Doutor Estranho, sinal claro de reencaixe de prioridades. Assim, o sumiço de Boris ganha contorno de peça num xadrez maior: reduzir redundâncias mágicas para que cada usuário de feitiços tenha função clara. A escolha reforça Doom como autocrata supremo e prepara terreno para que a eventual entrada dos Midnight Sons não pareça amontoado de capuzes.
Sem o bruxo conselheiro, Avengers: Doomsday corre o risco de deixar lacunas de exposição, mas ganha fôlego para investir em Loki, nos Guardiões e em um possível “Doutor Estranho B” que, se confirmando, pode virar o selo de reinvenção que o MCU persegue desde a Saga do Infinito.

