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Hollywood empurra mega sci-fi de US$ 160 mi para fevereiro e declara guerra ao “mês morto” do cinema

Fevereiro, historicamente tratado como um “purgatório” entre as premiações do Oscar e a temporada de férias, acaba de ganhar um tanque de US$ 160 milhões que promete bombar nos cinemas e IPTV: o estúdio confirmou que sua principal franquia de ficção científica volta às telas em 5 de fevereiro de 2027, ocupando um fim de semana que antes nenhum executivo disputaria com tanto apetite.

A data não soa aleatória. Ela vem armada para capturar público no carnaval latino-americano, encurralar rivais do streaming que ainda testam modelos híbridos e, sobretudo, provar que janeiro e fevereiro deixaram de ser época de descarte — uma guinada que começou com “Deadpool” em 2016 e foi sacramentada por “Pantera Negra” em 2018.

Virada de chave: fevereiro deixou de ser cemitério de filmes

Até meados da década passada, a indústria ensinava que ficção científica cara precisava do sol de julho ou da árvore de Natal de dezembro. O fracasso de “Júpiter Ascending”, que naufragou em fevereiro de 2015, parecia confirmar essa cartilha. Só que, ao longo dos últimos sete anos, o comportamento do público desmontou a lógica: blockbusters lançados no começo do ano passaram a encontrar salas menos congestionadas, prateleiras de brinquedos vazias e, ironicamente, críticas mais benevolentes por não concorrerem com as apostas de verão norte-americano.

A inércia veio abaixo quando “Pantera Negra” faturou US$ 202 milhões no final de semana de estreia, impulsionando a Marvel a reservar fevereiro para títulos de alto perfil. Em 2024, “Duna: Parte Dois” repetiu o feito com US$ 82 milhões, empurrando a Warner a considerar o mês “a nova Páscoa” do calendário. A confirmação do sci-fi de US$ 160 milhões nesse mesmo corredor sela a tendência: fevereiro já não é alternativa, é estratégia.

Brasil ganha carnaval de pipoca — mas corre risco de engarrafamento

Por aqui, o lançamento coincide justamente com a folia. Em 2023, os cinemas brasileiros venderam 1,3 milhão de ingressos durante o carnaval, 18% acima da média do mês, segundo o maior exibidor do país. A projeção para 2027 é de salto maior, caso o blockbuster repita a sintonia pop de franquias que abastecem fantasias de rua e memes nas redes.

Há, porém, um efeito colateral em gestação. Distribuidoras médias já sinalizam preocupação com a “americanização” completa do calendário: título nacional ou europeu que ousar estrear na mesma sexta-feira corre o risco de ser expulso de salas premium e formatos IMAX. O Sindicine, que representa produtores brasileiros, articula negociação com exibidores para garantir cotas mínimas em datas-chave — movimento semelhante ao que ocorreu quando Adult Swim impulsionou maratonas de anime no streaming e bagunçou a agenda de séries independentes.

Outro ponto sensível: o desconto promocional da “Semana do Cinema”, testado em 2022 e 2023, costuma acontecer exatamente na virada de fevereiro para março. Se a campanha se sobrepor à estreia bilionária, o preço reduzido pode inflar ingressos mas achatar o tíquete médio, afetando participações de lucro entre estúdio e rede de salas. Executivos ouvidos reservadamente afirmam que já discutem cláusulas de proteção para blockbusters lançados nesses dez dias.

Por que esse movimento não deve parar por aqui

Colocar a franquia de US$ 160 milhões em fevereiro não é só uma aposta de calendário; é um aviso claro sobre o encarecimento das janelas tradicionais. Julho de 2027, por exemplo, já tem confirmados um live-action da Disney, um longa da Pixar e a sequência de “Oppenheimer”, todos competindo por telas, mídia e, principalmente, fabricantes de merchandising. Fevereiro oferece espaço para negociações exclusivas com redes de fast-food, colecionáveis e até collabs fashion, caminho trilhado pela Studio Ghibli ao relançar o cardigã de “Castelo Animado” antes do outono japonês.

Outra camada envolve ecossistemas de marcas. Executivos de toy companies consultados contam que, quanto mais cedo no ano um filme grande estreia, mais tempo existe para reposicionar linhas de produtos antes da Black Friday. Foi assim que a Bandai usou o anúncio do novo Gundam para 2027 como laboratório de tecnologias em impressão 3D, antecipando ajustes em toda a linha Gunpla. O sci-fi da vez deve replicar a fórmula com fôlego para duas ou três ondas de lançamento de action figures até o Natal.

Se a jogada vingar, a paisagem de 2028 poderá ter blockbusters marcados para janeiro, ocupando o último bastião “vazio” do circuito. E os próximos tropicões do calendário, como a ressaca pós-Oscar em março, já entram na mira de executivos atentos a qualquer brecha. Fevereiro, ao que tudo indica, foi apenas o primeiro dominó a cair.

Enquanto o título, elenco e trama do projeto permaneçam sob sigilo de contrato, o recado ao mercado está dado: Hollywood decidiu que nenhum mês será intocável — e a corrida para transformar qualquer lacuna em alta temporada acaba de começar.

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