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Gojo enfim domina Jujutsu Kaisen e expõe virada de humor dos fãs após quatro anos de jejum

Quando a Shonen Jump divulgou, na madrugada de terça, o resultado do terceiro grande censo de popularidade de Jujutsu Kaisen, a surpresa não foi o nome no topo, mas o timing: Satoru Gojo — oficialmente morto no mangá — recuperou o trono que lhe escapava desde 2020 e, de quebra, quebrou o recorde histórico de votos da revista.

O salto de 2º para 1º lugar marca uma guinada curiosa: o personagem voltou à boca do povo justamente depois de ter sido retirado de cena por Gege Akutami, num arco que dividiu leitores e inflou teorias. A vitória póstuma não é só consolo de fã; aciona uma avalanche comercial e narrativa que o estúdio MAPPA e as fabricantes de figures já tratam como pauta urgente.

Vitória póstuma: como Gojo escalou o pódio mesmo fora da história

A Jump recebeu 2,1 milhões de votos válidos — 38% a mais que no último levantamento. Gojo cravou 327 124 votos, ultrapassando Megumi Fushiguro, campeão nas duas pesquisas anteriores. O detalhe que poucos repararam é que 71% dos cliques em Gojo vieram de fora do Japão, índice inédito para qualquer personagem da revista e que reforça a internacionalização acelerada da franquia.

Do ponto de vista narrativo, o resultado é quase uma afronta ao próprio autor: Akutami eliminou o feiticeiro mais poderoso justamente para frear a “inflação de força” que costuma diluir o suspense em séries longas — dilema já escancarado em Dragon Ball, como discutimos no artigo sobre o novo ranking de poder da saga de Goku. O voto do público, porém, indica que retiradas radicais nem sempre esfriam o hype; às vezes, o multiplicam.

Licenças, anime e mercado: por que o topo de Gojo muda o jogo agora

A reviravolta chega num momento sensível para o comitê de produção. O roteiro da terceira temporada do anime, em pré-produção no MAPPA, ainda não fechou as lacunas deixadas pela morte do personagem. Segundo fontes ligadas ao estúdio, o debate voltou à mesa nesta semana: reescrever flashbacks, antecipar aparições ou manter a ausência completa?

Do lado corporativo, duas decisões já estão tomadas:

  • A Bandai autorizou uma linha “Infinite Void” de Gunpla Style em escala 1/7, reutilizando o laboratório high-tech citado no projeto do novo Gundam de 2027.
  • O game mobile Phantom Parade receberá, em maio, um banner exclusivo de Gojo com taxa de drop inédita de 5%, movimento típico de quando o comitê quer capitalizar rápido no pico de atenção.

Num quadro maior, o episódio sugere que o fandom de Jujutsu Kaisen não reage apenas à cronologia interna, mas também ao que percebe como “justiça” para seus favoritos. É a mesma lógica que levou Blue Eye Samurai a ganhar status de “novo Game of Thrones” na Netflix, como analisamos aqui. O recado, portanto, é menos sobre um homem de vendas e mais sobre um leitor que se sente coautor: mate o personagem se quiser, mas prepare-se para lidar com o fantasma dele no próximo relatório de popularidade.

Ainda que Akutami mantenha Gojo fora de combate, o placar de 2024 prova que matá-lo não basta para tirá-lo do topo. E enquanto o duelo entre lucro e coerência narrativa seguir em aberto, o mago mais cool do mangá continuará comandando a conversa — esteja ele selado, sepultado ou, quem sabe, prestes a ressuscitar na próxima edição.

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