InícioAnimesMister Donut acende o forno da nostalgia e põe Pikachu no balcão...

Publicações relacionadas

Mister Donut acende o forno da nostalgia e põe Pikachu no balcão dos 30 anos de Pokémon

A fila começou a se formar ainda com as portas fechadas. Quando a rede Mister Donut ergueu as grades às 7h da manhã de Tóquio, os primeiros clientes já seguravam cupons para garantir o novo “Pikachu Pon de Ring”, principal chamariz da coleção de produtos lançada para celebrar os 30 anos de Pokémon. Em poucas horas, as lojas de maior movimento exauriram os estoques do mascote-donut, enquanto versões de Slowpoke e Jigglypuff migravam para a revenda on-line com ágio de até 120%.

Mais do que um brinde fofo, a parceria revela a virada estratégica da Mister Donut: transformar sobremesa de massa em item de colecionador — a mesma lógica que alçou cards, pelúcias e jogos da franquia ao status de investimento afetivo. A jogada também esquenta a já concorrida temporada de collabs gastronômicas no Japão, cenário em que marcas tradicionais correm para comprovar sua “juventude eterna” antes que o apetite do público migre para o próximo hype.

Donuts viram termômetro de nostalgia na guerra dos 30 anos de Pokémon

O aniversário do game — oficialmente em 27 de fevereiro de 2026, mas com comemorações adiantadas desde agora — virou uma batalha pelo bolso de consumidores que cresceram entre as gerações Red & Blue e Scarlet & Violet. Segundo analistas do setor de conveniência, a fatia “kidult” já responde por 38% do faturamento de produtos licenciados de alimentação no arquipélago, impulsionada por compras repetidas e publicações constantes em redes sociais.

Nesse contexto, a Mister Donut joga com duas cartas que a Krispy Kreme ainda não tem: distribuição capilar de quiosques em estações de trem e domínio sobre o formato “Pon de Ring”, aro de oito gomos que remete aos anéis do Pikachu. O design serve como tela para glacês de cores vibrantes e, principalmente, para a cauda em forma de raio feita de chocolate crocante — detalhe que o mercado considera a diferenciação necessária para escapar do rótulo de “mais um donut pintado”.

A ofensiva não nasce do zero. Nos últimos três anos, a Pokémon Company testou mini-pães na rede Lawson e cafés temáticos em Shibuya, mas nenhum deles aliou preço de impulso (a partir de 180 ienes) a design colecionável. O sucesso desta semana sinaliza que o consumidor aceita trocar a “experiência imersiva” de cafeterias por uma compra rápida, desde que o produto mantenha poder instagramável.

Receita inédita e distribuição relâmpago elevam o senso de urgência

Para evitar repetição, a Mister Donut não limitou a novidade ao visual. A massa leva um blend de mel de flores cítricas nunca usado pela rede e desenvolvido para garantir elasticidade mesmo depois de oito horas em exposição — fator crucial para lojas que operam sem cozinha própria. O paladar cítrico conversa com o recheio de creme de banana liofilizada, referência sutil ao choque elétrico do Pikachu, dizem os chefs consultores.

A janela de venda também é calculada: até 28 de fevereiro, com lotes semanais e distribuição que favorece pontos turísticos. A estratégia replica o modelo “drop” do streetwear, criando a sensação de que cada mordida encerra uma chance que não volta. O mesmo expediente foi testado pela Donguri Kyowakoku, loja oficial que lançou selos de Ano-Novo do Studio Ghibli e antecipou o boom de colecionáveis-alimentícios que agora respinga no universo Pokémon.

O ponto menos comentado, porém decisivo, está na margem de revenda. Plataformas de leilão on-line japonesas registraram 4 mil listagens de caixas vazias dos donuts nas primeiras 24 horas, sinal de que o “lixo premium” — embalagens e brindes descartáveis que viram souvenires — já faz parte do cálculo de quem compra. Para a Mister Donut, o efeito colateral é bem-vindo: quanto maior a secundária, mais rápido a primária esgota, e mais espaço se abre para um possível “round two” em julho, quando o verão local turbina o consumo de bebidas geladas e novas casadinhas promocionais.

Se os donuts elétricos antecipam tendências ou apenas aquecem corações nostálgicos, o caixa decidirá. Por ora, o que fica claro é que, no Japão, nenhuma lembrança é doce o suficiente até virar produto — e, de preferência, com formato de monstrinho amarelo.

Últimas publicações