InícioAnimesAvatar prepara derivado centrado em Iroh – mas o herói pode surgir...

Publicações relacionadas

Avatar prepara derivado centrado em Iroh – mas o herói pode surgir como vilão de guerra

Quando os showrunners de Avatar: The Last Airbender insinuaram nos bastidores da Comic-Con de Nova York que estudam um derivado exclusivo de Iroh, a plateia comemorou – até o complemento seco: “Talvez não seja o Tio Iroh que vocês estão imaginando”. O aviso traduz a aposta dos criadores num recorte nunca visto em tela: o general que incendiou fronteiras como Dragão do Oeste antes de trocar a espada pela chaleira.

A guinada não é mero capricho criativo. Avatar Studios sente pressão para expandir o universo além de cameos nostálgicos e, sobretudo, provar aos streamings que a franquia fala com adultos, num momento em que a Netflix se arma com a série live-action e a Paramount+ financia três longas animados. Esse Iroh sombrio pode ser o piloto de teste.

Derivado mira o general que sitiou Ba Sing Se

Dentro da cronologia, o cerco de 600 dias à Muralha Oriental é o ponto de ruptura de Iroh: derrota, morte do filho Lu Ten e, anos depois, remorso tingido de filosofia do chá. É justamente esse período – sangrento, militarizado e quase nunca explorado – que o time de roteiristas sonda para a possível série limitada. A versão rascunhada traria Iroh ainda fiel ao expansionismo da Nação do Fogo, duelando com dragões reais para conquistar o título que mais tarde usaria como lenda folclórica.

Em off, um dos animadores veteranos compara a proposta à trajetória de Anakin em Star Wars: “o público ama o mentor, mas esquece quantas vidas ele tirou para virar sábio”. No centro da discussão está como equilibrar cenas de carnificina com o tom espiritual característico de Avatar, sem soar gratuito nem abafado pelo selo infanto-juvenil da Nickelodeon.

Virada de tom atende a corrida por assinantes adultos

Desde que a HBO Max aqueceu as telas com a “lareira de Calcifer” do Studio Ghibli – movimento que inaugurou a guerra do “streaming aconchego” – empresas rivais mapeiam lacunas de sentimento no catálogo. Avatar, tradicionalmente posicionado no conforto, pode inverter a lógica: entregar violência de guerra, luto e trauma enquanto deixa o alívio cômico para participações esporádicas de Zuko ou Azula.

O alvo são jovens adultos que cresceram com Aang em 2005 e hoje consomem animações maduras como Arcane e Invincible. Segundo executivos consultados, é esse público que decide assinatura familiar e sustenta licenciamento premium – de action figures a parques temáticos.

Nostalgia versus profundidade: risco calculado pela Avatar Studios

A aposta, porém, carrega efeitos colaterais. Transformar o personagem mais querido da franquia em antagonista pode repelir quem procura a mesma dose semanal de sabedoria zen. Internamente, roteiristas estudam amenizar o choque com dois artifícios clássicos: mostrar o ponto de vista das vítimas do Fogo e, em flashforward, intercalar diálogos do Iroh pacifista preparando chá para Aang.

Se aprovado, o projeto deve estrear só depois do segundo longa animado – focado no Team Avatar já adulto – garantindo respiro para a audiência processar a mudança de tom. Até lá, toda menção pública sobre “spinoff do Iroh” virá acompanhada do alerta: ele poderá, sim, ser o vilão da própria lenda. E isso, para os criadores, é justamente a lição final sobre equilíbrio que a franquia ainda não contou.

Últimas publicações