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Disney+ mistura romance à Bridgerton com intriga à Game of Thrones para frear fuga de assinantes

Um baile digno de Bridgerton termina em sangue, dragões e golpe palaciano: esse é o cartão-de-visita de The Court of Dragons, superprodução que o Disney+ anuncia como sua arma contra a recente sangria de assinantes. A série adapta um romance on-line que somou 2,97 bilhões de leituras na plataforma asiática WebNovel e estreia já no segundo semestre, colocando o streaming da Disney em território que, até aqui, Netflix e HBO Max dominaram sozinhos.

O empilhamento de referências a romances de época e batalhas medievais não é acidente. Executivos admitiram, em reunião fechada com investidores, que a missão do projeto é “roubar corações e engajamento” de duas demografias opostas: o público jovem que devorou Bridgerton e os órfãos de Game of Thrones. A combinação se converteu num orçamento estimado de US$ 150 milhões, set building em estúdio britânico e uma curiosa estratégia de lançamento invertido, que começa pela Ásia antes de chegar aos EUA e ao Brasil.

Adaptação de 2,97 bilhões de cliques ganha estética de parque temático

O texto original, assinado pela autora sino-singapurense Vivian Zhou e publicado de forma serializada desde 2018, nasceu como fantasia romântica recheada de intrigas cortesãs. No papel, as guerras eram mais política de travesseiro que batalha campal. Já a versão televisiva ganha monstros em CGI dignos da Lucasfilm e ruas de pedra erguidas no Pinewood Studios, numa clara tentativa de entregar o “fator espetáculo” que faltou a séries recentes do Disney+, como a morna Willow.

Produtores contam que o desenho de produção foi pautado por visitas guiadas aos parques da Disney. O objetivo: criar cenários reconhecíveis o bastante para virar atração de merchandising, algo que ecoa a guinada da Hasbro ao transformar os Dinobots em peça de vitrine. Figurinos assumidamente inspirados na Regência britânica se misturam a armaduras que não destoariam de um cavaleiro Targaryen. A aposta é expandir o negócio para roupas licenciadas e experiências imersivas já no primeiro ano.

Lançamento começa pela Ásia para ganhar boca a boca global

À primeira vista, é estranho que Disney+ escolha Indonésia, Singapura e Filipinas como praça de estreia. Mas a plataforma aprendeu, com sucessos locais como Moving (Coreia do Sul) e The Zone (Japão), que um fandom fervoroso no sudeste asiático garante maratona orgânica de clipes em TikTok antes de a série desembarcar no Ocidente. Esse barulho “gratuito” – que o marketing interno estima em US$ 20 milhões economizados em mídia – ainda dribla o risco de cancelamento precoce, fantasma que assombrava títulos como Willow e National Treasure.

O cronograma invertido dialoga com o fato de o livro original ter 80 % dos leitores na região. Além disso, contratos com a Tencent Pictures preveem um corte cinematográfico exclusivo para cinemas chineses, repetindo a manobra da Pokémon Company ao plantar o novo Zapdos em bueiros japoneses para ativar turismo nerd – tática detalhada nesta reportagem.

A cartada de US$ 150 milhões mira o vácuo pós-Marvel

Desde que a fase 4 do MCU esfriou, o Disney+ perdeu quase 12 milhões de contas globais. O CEO Bob Iger encomendou então um “evento serial” que fosse atrativo sem depender de super-heróis. The Court of Dragons surge como ponte entre quem migra da fantasia YA e quem quer violência calculada – o limite imposto internamente é não ultrapassar a classificação 16 anos, evitando o erro de tonar-se tão gráfico quanto a HBO.

Analistas de Wall Street calculam que cada ponto de retenção gerado pela série vale US$ 50 milhões em receita anual. Por isso, a Disney não hesitou em contratar parte da equipe de House of the Dragon para coreografar as cenas de guerra. Há risco? Sim: se o público ler a mistura como oportunismo, o projeto tende a desaparecer tão rápido quanto Avatar sumiu da Steam após o fim de licença. Mas, se a fórmula colar, teremos o primeiro universo original do Disney+ a bater de frente com pesos-pesados da TV premium.

Por ora, o streaming mantém segredo sobre data brasileira, mas internos falam em outubro – a tempo de ocupar o vácuo entre estreias da Marvel e as festas de fim de ano. Se o baile de dragões conquistar quem já cansou de heróis, a Disney terá finalmente encontrado seu plano B para a era pós-capas e pós-sabre de luz.

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