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Segundo salto de “Deadpool & Wolverine” para “Avengers: Doomsday” revela o novo motor do multiverso da Marvel

A Marvel anunciou, sem fanfarra mas com efeito dominó, que Jennifer Garner voltará a vestir o traje de Elektra em “Avengers: Doomsday”. É o segundo nome pescado diretamente de “Deadpool & Wolverine”, sinal claro de que o longa do Mercenário Tagarela virou peça-chave — e não apenas prelúdio — da próxima batalha dos Vingadores.

O movimento dissolve a última fronteira que separava o MCU da antiga “era Fox” dos mutantes. Mais que reforçar elenco, ele encaixa Elektra em um tabuleiro que já prevê cinco frentes de heróis, o avanço do Doutor Destino e um cronômetro itinerante que vem mudando de cidade desde a D23. A Marvel transformou um cameo nostálgico em tijolo estrutural.

Elektra entra no jogo político de Doom

Fontes de estúdio apontam que Elektra será usada como ponte entre a parcela urbana do MCU — eco de Demolidor, recém-repaginado no novo vermelho do Demolidor — e a crise multiversal orquestrada por Victor Von Doom. A assassina, agora reescrita como ex-agente clandestina da TVA, chegaria munida de informações que justificam a “guerra de cinco lados” confirmada na nova sinopse.

Na prática, a personagem assume o posto que Viúva Negra ocupou em “Capitão América: Guerra Civil”: elo diplomático entre facções de heróis que não confiam umas nas outras. Isso explica por que o roteiro coloca Elektra no mesmo núcleo emocional de Destino, do Visão desmontado (já anunciado em VisionQuest) e do próprio Deadpool, trio descrito internamente como “os Thanos” do filme — não por vilania, mas por centralizar motivação.

O detalhe que quase passou batido: Elektra é a primeira personagem do antigo selo 15 anos antes da Disney a ganhar contrato de múltiplas aparições pós-fusões. Isso dá lastro para uma possível série derivada no Disney+ se “Zodiac”, projeto-piloto para consertar o modelo de streaming, realmente engrenar.

Deadpool & Wolverine vira porta de entrada definitiva

Com Elektra e Wade Wilson já certos, “Deadpool & Wolverine” torna-se a fase-teste que o estúdio precisava para validar universos paralelos sem o peso de “Vingadores”. As refilmagens de março incluíram cenas-gancho exclusivas para Garner, criando linha direta entre os dois longas e aliviando a necessidade de longos prólogos em “Doomsday”.

O calendário apertado ajudou. Kevin Feige entendeu que a sobrecarga de lançamentos isolados confundia o público e apelou para o que executivos chamam de “risco zero”: amarrar tudo em poucas propriedades-âncora. Depois de “Deadpool & Wolverine”, só “VisionQuest” e “Doomsday” carregarão o selo de urgência narrativa, como já demos neste raio-X.

Internamente, a leitura é que Wade e Logan funcionarão como correias de transmissão: o humor meta de Deadpool abre espaço para explicar antigas linhas do tempo, enquanto Wolverine empresta gravidade ao caos que Doutor Destino vai desencadear. Elektra, por sua vez, oferece o ponto de vista “pés no chão” que faltou em “Multiverse of Madness”.

Corrida contra o relógio obriga a revelar cartas já

O “Doomsday Clock” — marcador oficial do filme — ficou estático por meses e só voltou a girar quando o marketing decidiu anunciar novas cidades da turnê mundial, movimento lido como aceno a investidores após a crise de 2023. Ao cravar Elektra agora, a Marvel mostra que o roteiro está fechado o bastante para liberar nomes, mas flexível o suficiente para ajustes de última hora.

A pressa tem motivo financeiro. Cada nova contratação de peso exige renegociar participações em bilheteria, e o estúdio quer fechar essa conta antes que a greve potencial do SAG volte à mesa. Além disso, quanto mais cedo o público reconhecer rostos familiares, maior a adesão em licenciamento — lição aprendida quando uma gafe de produto rebaixou Sam Wilson e gerou barulho negativo.

Com Elektra oficialmente embarcada, resta apenas uma vaga aberta entre os “três corações emocionais” citados em reuniões internas. Se o padrão se mantiver, esse último nome também sairá de “Deadpool & Wolverine”. A aposta nos corredores da Comic-Con é que seja um antagonista improvável — o tipo de curva que tornaria “Doomsday” o espelho sombrio de “Infinity War” que a Marvel vem prometendo.

No curto prazo, a mensagem já está dada: a fase do crossover tímido acabou. Quando Elektra desembarcar ao lado de Deadpool, Wolverine e Destino, o MCU estará, pela primeira vez, misturando pedaços de todas as suas eras em um mesmo ataque coordenado. E quem duvida que esse mosaico possa funcionar talvez precise lembrar que, há dez anos, a ideia de Guardiões da Galáxia e Vingadores dividindo tela também parecia loucura.

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