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“ACMA:GAME” acende o sinal vermelho pós-Squid Game e devolve ao Japão o trono dos death games

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O relógio marcava 22h30 de domingo quando a Nippon TV abriu as portas do inferno: “ACMA:GAME”, adaptação do mangá homônimo, jogou um grupo de jovens em partidas comandadas por demônios e virou assunto mais comentado no X japonês em menos de dez minutos. Dados internos da emissora apontam pico de 9,8 pontos na Grande Tóquio — índice que não se via num drama de suspense às 22h desde “Alice in Borderland”, de 2020.

Enquanto o mundo ainda aguarda a 2ª temporada de “Squid Game”, Tóquio costurou em silêncio um contra-ataque que mistura quebra-cabeças sádicos, efeitos práticos dignos de blockbuster e uma carta na manga: o final do mangá, encerrado em 2017 sem grande repercussão, foi reescrito para a TV. O resultado abriu nova corrida internacional por direitos de exibição e recolocou o Japão no jogo que ele mesmo inventou lá atrás com “Battle Royale”.

Produção escala demônios digitais, salas giratórias e verbas de filme

O dorama custou cerca de ¥800 milhões (R$ 26 milhões) para a primeira leva de dez episódios, segundo fonte próxima ao comitê de produção — valor duas vezes superior ao gasto médio da faixa. A partir daí se explicam cenários gigantes que giram 360 graus, uso de tela de LED estilo “The Mandalorian” e criaturas criadas pelo estúdio Khara, de “Evangelion”.

Ren Meguro, astro do grupo Snow Man, assume o protagonista Oda Shun, obrigado a colecionar 99 “Moedas de Demônio” em desafios que incluem desde dardos envenenados até partidas de xadrez humano com pisos colapsáveis. Cada game é fechado em estúdio, mas o making-of revela trilhos motorizados que reposicionam as peças do cenário em 40 segundos para filmagens em plano-sequência — truque raríssimo na TV aberta japonesa.

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O salto de qualidade tem efeito colateral calculado: exportação. Executivos ligados à Hulu Japan confirmam negociações avançadas com ao menos três streamings globais. O movimento replica a lógica da Netflix coreana, mas evita a dependência única de uma plataforma, estratégia que fãs de anime já viram falhar quando a Crunchyroll removeu títulos clássicos sem aviso.

Chegada cirúrgica: hype global, vacilo coreano e janela vazia

“Squid Game” ainda domina a conversa, mas a demora para a próxima temporada — agora prevista só para o fim de 2024 — deixou uma lacuna que o mercado asiático notou. “ACMA:GAME” preenche esse espaço com algo que o rival coreano não entregou: fantasia sobrenatural explícita, um recurso que facilita licenciar brinquedos, cards e até escape rooms, segundo análise da consultoria Kadokawa Marketing.

Além disso, o dorama mira públicos que escaparam do radar de “Squid Game”. O casting jovem, puxado por idols e ex-atores de tokusatsu, engata de cara a audiência adolescente, enquanto a nostalgia do mangá seduz trintões que cresceram com “Kaiji” e “Danganronpa”. Um efeito parecido já se viu quando a Bandai ressuscitou “G Gundam” e fez barulho, como mostrou a reportagem sobre o retorno da série de mechas aos 30 anos neste link.

O detalhe que pouca gente notou: final alternativo coloca autor no set

Durante o anúncio da série, quase ninguém percebeu que o roteiro televisivo passou pelas mãos do próprio Okushou, coautor do mangá original que havia se afastado da indústria. Ele exigiu contrato que garante controle criativo sobre os últimos dois episódios, que reescrevem o clímax jamais ilustrado nos quadrinhos. Em troca, aceitou condensar arcos longos em provas únicas — escolha que gerou ritmo frenético e zero filler.

Se funcionar, o modelo pode inaugurar uma segunda vida para títulos “encostados” que ainda rendem discussões em fóruns, mas nunca tiveram chance de encerrar a própria história. Para quem cansou de finais abertos ou cancelamentos abruptos, “ACMA:GAME” soa quase como pacto com o diabo — e, no Japão, poucos convites soam tão tentadores.

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